Várias dezenas de professores do Ensino Superior fizeram, esta terça-feira, uma greve para expressar a precariedade em que vivem, mas os alunos só repararam na ação de protesto pelo cartaz afixado à entrada do Instituto Superior de Engenharia do Porto.“Chega de cortes no Ensino Superior. Sem formação não há futuro”, “Reorganizar sim, destruir não” ou “por um Ensino Superior e Ciência acessível a todas as classes sociais” eram algumas das frases que hoje se liam à entrada do Instituto Superior de Engenharia do Porto (ISEP) e no seu átrio.

Cerca de 70 professores e investigadores do Ensino Superior reuniram-se num auditório do ISEP numa ação de protesto com o objetivo de expressar o desagrado pelos cortes no financiamento nos últimos anos, “extrema precariedade” de trabalho dos docentes e pelo bloqueio nas carreiras.

“Numa altura em que se debate políticas para o futuro, pretende-se alertar a sociedade em geral que o Ensino Superior, embora a sociedade não tenha a noção disso, passa por uma grande precariedade”, declarou à Lusa Henrique Curado, do Sindicato Nacional do Ensino Superior.


Segundo conta o professor e sindicalista, há colegas que estão neste momento a ficar sem contrato e que dificilmente vão encontrar emprego, porque estão numa faixa etária avançada.

Henrique Curado diz também que há uma “grande percentagem de pessoas que concluíram o doutoramento e que têm todo o mérito para ser professores, mas que vão ser despedidos”.

Há instituições de Ensino Superior sem dinheiro para apoiar a investigação contínua, há uma sobrecarga administrativa dos docentes do Ensino Superior, acrescenta.

“Temos cortes entre 30 a 50% em algumas instituições e torna-se perfeitamente incomportável”, com situações de instituições que quando chegam a setembro e outubro têm de pensar onde é que vão encontrar dinheiro para pagar os salários até ao final do ano”, revela.


Helena Bento, uma professora doutorada na área de Ciências do Desporto, na Faculdade de Desporto da Universidade do Porto, que hoje fez greve, lamenta as “condições precárias” a que está sujeita e conta que este novo ano letivo chegou a ser-lhe proposto metade das horas de serviço e um ordenado na ordem dos 400 euros.

Helena Bento é professora contratada há três anos e a tempo parcial de 59% e conta que “mais de 40% do corpo docente na Faculdade de Desporto da Universidade do Porto são contratados a tempo parcial”, ou seja, apesar de trabalharem para o Estado, têm os cortes que estão subjacentes aos funcionários públicos, mas não têm direito à assistência na saúde e outros benefícios.

Alguns dos alunos que circulavam hoje no ISEP disseram à Lusa que só se aperceberam da greve dos professores do Ensino Superior pelo cartaz que está à entrada da instituição e afirmam que têm tido as aulas previstas no horário.

A reintrodução de políticas de apoio à contratação estável, o combate à precarização ou a reposição de um financiamento que permita um "normal funcionamento das instituições salvaguardando a qualidade do ensino e investigação, são algumas das reivindicações do docentes e investigadores.