Meia centena de trabalhadores da Groundforce concentraram-se esta sexta-feira junto ao aeroporto de Lisboa protestando contra o trabalho precário na empresa, em defesa do cumprimento do horário de trabalho e pelo aumento dos salários.

Os manifestantes, a que se associou o secretário-geral da CGTP, Arménio Carlos, dirigiram-se depois para o edifício da administração da TAP, empresa que tem 49,9% do capital da Groundforce - sendo que a restante parte é detida pelo grupo Urbanos - onde se voltaram a concentrar.

Num dia em que os trabalhadores da Groundforce no aeroporto de Lisboa cumpriram uma nova greve, entre as 09:00 e as 14:00 horas, Arménio Carlos criticou a utilização do trabalho temporário na Groundforce, tendo classificado o aeroporto como “um antro de precaridade”.

“Estamos aqui com uma luta dos trabalhadores [da Groundforce] que estão a combater a precaridade de que são vítimas, mas também para exigir a melhoria dos salários”, lembrou o líder sindical, adiantando que “não se pode aceitar que o aeroporto de Lisboa seja um antro de precariedade”.

“O que verificamos é que, neste momento, há um número significativo de trabalhadores com vínculos precários a ocupar postos de trabalho de efetivos. Os trabalhadores da Groundforce têm ainda salários muito baixos e muitos deles não são aumentados há anos”, lamentou.


A Groundforce é uma empresa que está a trabalhar num aeroporto, no caso o de Lisboa, que “tem mais passageiros, mais negócios e simultaneamente não responde às reivindicações dos trabalhadores, as quais são muito simples”, esclareceu.

A CGTP exige "não só a melhoria dos salários, mas também o respeito pelos horários de trabalho e passagem dos trabalhadores com vínculo precário ao quadro de efetivos, desde que se prove que estão a ocupar postos de trabalho permanentes".

Segundo Arménio Carlos, “há uma linha de pressão sobre os direitos dos trabalhadores que põe não só em causa os seus direitos como os empurra para um crescente empobrecimento”.

“Nós precisamos de combater as desigualdades e elas estão aqui expostas. Ao mesmo tempo, a empresa procura fugir à negociação dos salários, mas atribui aumentos muito significativos aos vencimentos dos seus gestores”, frisou.

“É isto que não pode continuar a acontecer”, sublinhou, de acordo com a Lusa.

Segundo Arménio Carlos, a situação da precariedade, que pode ser observada na Groundforce e no aeroporto de Lisboa, pode ser “vista em vários pontos do país” e "está associada" à política de “baixos salários”.

Na Groundforce os salários da generalidade dos trabalhadores “são muito baixos, na ordem dos 550 a 600 euros”, esclareceu.

“Os trabalhadores da Groundforce estão a prestar uma atividade profissional que deveria ser reconhecida e valorizada com salários superiores aos que estão a ser implementados”, reiterou, adiantando que, “ao contrário do que o Governo diz e que se pode constatar nesta empresa é que não se estão a criar mais empregos efetivos”.

“Em Portugal, entre outubro de 2013 e junho de 2015, 84% dos empregos criados eram precários e com uma média salarial de 564 euros, o que tem a ver com o modelo de desenvolvimento assente em baixos salários, com o qual discordamos”, lembrou.

O líder sindical criticou também a proposta de plafonamento na Segurança Social e o corte de pensões defendido pelo Governo. E recordou que um modelo de desenvolvimento assente na criação de trabalho precário e baixos salários "não permite ao país crescer”.

Em declarações aos jornalistas, Fernando Henriques, dirigente sindical do SITAVA - Sindicato dos Trabalhadores da Aviação e Aeroportos, afirmou que a adesão à greve da Groundforce foi de 50%, o que na sua opinião se tratava de "uma percentagem bastante aceitável", atendendo à utilização de trabalhadores com vínculo precário.

A Groundforce emprega 1.200 trabalhadores efetivos e 800 com vínculo precário, prevendo os sindicalistas que a luta venha a ser estendida proximamente a outros aeroportos, como o do Porto.