O líder da CGTP juntou-se esta quinta-feira aos enfermeiros em greve, frente ao Ministério da Saúde, naquele que é já o segundo dia de paralisação, para acusar o Governo de manipular e mentir para «pôr em causa» a greve, por ter «medo» da luta destes profissionais.

«O Ministério da Saúde procura, pela via da manipulação e da mentira, pôr em causa os objetivos da vossa luta».O Governo «tem medo da luta dos enfermeiros» porque ela «pode pôr em causa a vida» do Executivo, considerou Arménio Carlos, no discurso que dirigiu aos manifestantes.

«Precisamos de uma nova política e de um novo Governo». Nessa altura, foi acompanhado pelos enfermeiros, que gritavam «Demissão, demissão, demissão».

Também a deputada do PCP Carla Cruz participou na concentração e considerou a greve «justíssima» no quadro de uma situação profissional «muito complexa». «O Governo não abre concursos para enfermeiros em número suficiente. As reivindicações são justíssimas», disse à Lusa a deputada comunista, sublinhando ainda a «muito boa adesão» à paralisação.

De acordo com o Sindicato dos Enfermeiros Portugueses, os níveis de adesão à greve mantêm-se hoje acima dos 80% na larga maioria dos hospitais públicos. Os dados do sindicato apontam ainda para uma adesão média de 83,5% na quarta-feira, primeiro dia de paralisação.

«Macedo escuta / os enfermeiros estão em luta» e «Enfermagem unida / jamais será vencida» são algumas das frases mais gritadas pelos enfermeiros concentrados junto ao Ministério, num protesto ruidoso e repleto de bandeiras do SEP.

No início do protesto, que começou pelas 12:30, alguns enfermeiros deitaram-se no chão na estrada, tentando demonstrar a exaustão que estes profissionais dizem sentir.

Segundo o presidente do Sindicato, José Carlos Martins, cerca de 600 enfermeiros terão participado na concentração, a avaliar pelos 400 profissionais de fora da Grande Lisboa que terão sido transportados de autocarro. Oficialmente, a PSP não indicou estimativas de números dos presentes no protesto.

Sobre um dos motivos centrais da greve nacional de dois dias, o SEP tem dito que «a grave carência de enfermeiros em todas as instituições do Serviço Nacional de Saúde (SNS) não se minimiza com a contratação de apenas mais 700 enfermeiros, em 2015, além dos mil já anunciados a 18 de setembro».

O Ministério da Saúde já veio lamentar o que considera ser a «banalização da greve». quis realçar o que se comprometeu com a «autorização de contratação de mais de 1.700 enfermeiros no período de outubro de 2014 a outubro de 2015».

Além da contratação de mais enfermeiros, o SEP exige uma valorização da profissão, as 35 horas semanais de trabalho para todos, a progressão na carreira e a reposição do valor das horas suplementares e noturnas.