O Ministério da Saúde veio, esta quinta-feira, lamentar que os enfermeiros mantenham a greve de sexta-feira e também do próximo dia 21, criticando-os por colocarem «as reivindicações acima do bem-estar dos doentes», numa altura em que o país está a ser assolado pelo surto de legionella. Por isso, o ministério liderado por Paulo Macedo, vai avaliar «os serviços mínimos exigíveis nos hospitais de Vila Franca de Xira e Amadora-Sintra, e nos Centros Hospitalares de Lisboa Norte, Lisboa Central e Lisboa Ocidental».

Em comunicado, explica que, durante o dia de ontem, «endereçou uma carta ao Sindicato dos Enfermeiros Portugueses (SEP) em que colocou à consideração deste a desconvocação da greve nacional agendada para dias 14 e 21, tendo em conta a situação de emergência de saúde pública que os portugueses conhecem. Hoje, o Ministério tinha aceitado de imediato, uma proposta de reunião, solicitada esta manhã pelo SEP com carácter emergente, no pressuposto de que seriam analisadas as alternativas à greve nacional e estabelecido calendário negocial futuro».

No entanto, os enfermeiros decidiram manter a greve:

«Infelizmente, o Ministério da Saúde regista que o SEP não compreendeu a gravidade do momento e colocou as suas reivindicações acima do bem-estar dos doentes. Neste contexto de incompreensão do SEP face à situação de dificuldades a que as instituições de saúde têm dado excelente resposta, que se traduz numa recusa de desconvocar esta greve, não resta alternativa ao Ministério da Saúde do que desmarcar a reunião que se encontrava agendada para hoje»


O Governo quer garantir «os níveis de cuidados adequados no contexto extraordinário do momento» e, por isso, assegura que está a preparar as medidas necessárias à diminuição de impactos negativos sobre os doentes e a população.

«A greve, ainda que classificada de nacional, atingirá apenas os serviços integrados no Serviço Nacional de Saúde, onde estão a ser tratados mais de 90% dos doentes infetados com legionella».