A adesão à greve dos enfermeiros situa-se nos 60 a 80%, existindo serviços totalmente paralisados, segundo fonte sindical.

José Carlos Martins, dirigente do Sindicato dos Enfermeiros Portugueses (SEP), que promoveu esta greve de dois dias, disse aos jornalistas que as consultas, alguns blocos operatórios e outros serviços programados estão a ser os mais afetados pela paralisação.

Sublinhando que existem hospitais com serviços “totalmente paralisados”, José Carlos Martins disse que este nível de adesão espelha bem o descontentamento da classe que está disposta a novas formas de luta caso o Governo não concretize as reivindicações apresentadas e que estiveram na origem deste protesto.

Os enfermeiros iniciaram às 08:00 desta quinta-feira uma greve de dois dias pela “valorização e dignificação” destes profissionais, uma paralisação que ficou agendada apesar da marcação de um calendário de negociações com o Governo sobre as suas 15 reivindicações.

Os objetivos desta greve prendem-se essencialmente com a valorização e dignificação dos enfermeiros, segundo o SEP.

Adesão de 75% no S. João afetou dezenas de cirurgias

A greve dos enfermeiros registou uma adesão “bastante significativa, de cerca de 75%”, no Hospital de São João, no Porto, afetando dezenas de cirurgias e consultas programadas, afirmou hoje Fátima Monteiro, do Sindicato dos Enfermeiros Portugueses (SEP).

Segundo a dirigente sindical, os serviços mais afetados por esta paralisação dos enfermeiros naquela unidade hospitalar “são aqueles onde não há que assegurar cuidados mínimos, nomeadamente os blocos operatórios”, sendo que, “das 12 salas [de cirurgia], só uma é que funcionou”.

“Foram dezenas de cirurgias que foram adiadas por culpa do Ministério da Saúde, por não corresponder aos problemas dos enfermeiros. Ao não assumir os compromissos está a acentuar esses problemas”, sublinhou Fátima Monteiro.

A sindicalista adiantou também que a adesão à greve no Hospital da Póvoa foi de 80% e que no Hospital de Santo António, no Porto, e no Centro Hospitalar Gaia/Espinho “nenhuma sala [de cirurgia] funcionou” até então.

Adesão de 60% no maior hospital algarvio adia cirurgias

A adesão à greve dos enfermeiros no Algarve rondava hoje de manhã os 60% no hospital de Faro, obrigando ao adiamento de algumas cirurgias.

Segundo Nuno Manjua, do SEP, no turno de manhã, que termina às 16:00, a adesão à greve no hospital de Faro era de 60%, no de Portimão era 76% e no de Lagos 86%, o que afetou o funcionamento de vários serviços, desde a urgência ao internamento, que funciona com os serviços mínimos, mas também as consultas externas.

"O bloco operatório de Faro está a meio gás, algumas cirurgias não são feitas, em Portimão nenhuma é feita sem ser urgente e, tanto em Faro como em Portimão, não foram feitas nenhumas das cirurgias programadas", sublinhou o dirigente sindical, durante um balanço feito no hospital de Faro.

Segundo Nuno Manjua, existem ainda várias unidades dos centros de saúde da região com uma adesão superior a 50%, e, em alguns casos, de 100%, como nas unidades de São Brás de Alportel e Quarteira (concelho de Loulé).

"Os serviços de internamento, urgência, cuidados intensivos ou consultas externas nos vários hospitais da região são todos afetados, independentemente de a adesão nesse serviço específico ser 100% ou ser um pouco menos. Em todos os serviços há sempre alguma coisa que acaba por ficar afetada", afirmou.

Cirurgias programadas adiadas no Alentejo

A greve dos enfermeiros provocou hoje o cancelamento de cirurgias programadas em diversos hospitais do Alentejo, situados em Beja, Évora, Portalegre e no litoral alentejano.

O coordenador no Alentejo do Sindicato dos Enfermeiros Portugueses (SEP), Edgar Santos, disse que a adesão à greve ronda os 57,8% no Hospital José Joaquim Fernandes, em Beja, pertencente à Unidade Local de Saúde do Baixo Alentejo (ULSBA).

A paralisação “está a afetar vários serviços” nesta unidade, mas tem efeitos mais visíveis no bloco operatório, segundo o sindicalista, que explicou que uma das duas salas de cirurgias programadas fechou.

Quanto ao Hospital do Espírito Santo de Évora (HESE), Celso Silva, igualmente dirigente do SEP, revelou à Lusa que a greve ronda “os 60 a 65%” e que existem “vários serviços com 100% de adesão”, nomeadamente “os de Urgência, Psiquiatria e Sangue”, tal como “a Unidade de Cuidados Intensivos e a Ortopedia”.

O bloco operatório, destacou, “também está parado no que diz respeito a cirurgias programadas, porque as duas salas estão fechadas, e só estão a ser realizadas cirurgias de urgência”.

Já Helena Neves, do SEP no litoral alentejano, explicou que a adesão ao protesto é de “86,9%” no Hospital do Litoral Alentejano, em Santiago do Cacém, e que “quatro cirurgias no Bloco Central não foram realizadas”, o mesmo acontecendo no Ambulatório, em que “12 cirurgias de oftalmologia” foram adiadas.

No distrito de Portalegre, o SEP ainda não disponibilizou dados sobre o hospital da sede de distrito, mas indicou que, no Hospital de Elvas, a adesão à paralisação “é de 34,6%”.