Os professores que se manifestam, esta quarta-feira, sob a bandeira sindical da Fenprof iniciaram pouco depois das 10:30 um desfile rumo à Assembleia da República ao som de ‘Grândola Vila Morena’, de José Afonso.

Dulce Carvalho é uma das professoras que está a participar nesta manifestação. Com 36 anos de carreira, a docente do primeiro ciclo contou à Lusa que já não sobe de escalão desde 2002.

“Estou a perder mais de 600 euros por mês”, disse, referindo-se às perdas sofridas pelos professores nos últimos anos.

Os professores realizam esta quarta-feira uma greve geral e uma concentração em frente ao parlamento, o que se traduz em escolas fechadas, alunos sem aulas e professores na rua.

Em causa está a polémica proposta de não contagem do tempo de serviço prevista na proposta do Orçamento de Estado para 2018 (OE2018), que será debatida na quarta-feira no parlamento.

A Fenprof e a Federação Nacional de Professores (FNE) estiveram reunidas na terça-feira com o Governo.

Em comunicado enviado na terça-feira à noite, o Governo anunciou ter registado “avanços no sentido de um potencial acordo negocial”.

“No seguimento das reuniões realizadas entre a secretária de Estado da Administração e Emprego Público, a secretária de Estado Adjunta e da Educação, a FENPROF e a FNE, o Governo regista avanços no sentido de um potencial acordo negocial”, refere em comunicado.

O Governo acrescentou que “foram exploradas possibilidades” que vão agora ser analisadas, com as reuniões entre as partes a serem retomadas na quinta-feira.

Em declarações à Lusa, Mário Nogueira disse que a “aquilo que ficou previsto na reunião na terça-feira foi que a negociação tinha de continuar”.

Ontem não houve nenhuma apresentação de uma proposta concreta da parte do governo. Houve sim a tentativa de durante quase duas horas de nos explicar porque é que no plano estritamente jurídico o tempo não podia ser recuperado. Eles têm de perceber que a ditadura do jurídico não se pode sobrepor aos direitos das pessoas”, frisou.

Mário Nogueira destacou que os professores não estão a reivindicar mais salários, só a pedir o que é justo”.

As pessoas trabalharam durante nove anos, quatro meses e dois dias em que estiveram congeladas as carreiras. Não estamos a exigir que seja em dois anos, estamos disponíveis para negociar um faseamento”, disse.