A adesão ao primeiro de dois dias de greve dos trabalhadores não policiais do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF) está a registar uma adesão entre os “80 e os 90%” a nível nacional, disse à Lusa fonte sindical.

“Os grandes postos de atendimento ao público estão fechados”, afirmou Manuela Niza Ribeiro, presidente do Sindicato dos Funcionários do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SINSEF).

A dirigente sindical apontou como exemplos as lojas de “Setúbal, Vila Real, Odivelas, António Augusto de Aguiar (Lisboa), Porto, Algarve e Coimbra”, entre outras.

Na retaguarda, serviço menos visível para o público, mas que é onde se agilizam ou não os processos, temos cerca de 90 por cento de adesão à nossa greve”, acrescentou, referindo que este protesto poderá “não parar por aqui”, se as reivindicações dos trabalhadores não forem atendidas.

Manuela Niza Ribeiro chamou ainda a atenção para uma situação que classificou como “gravíssima” que alegadamente está a ocorrer na loja de passaportes do Porto.

Para que o serviço não encerre, está a trabalhar uma estagiária que está a aceder a todos os dados do passaporte eletrónico português, uma base de dados altamente confidenciais. Nem sequer é estagiária do SEF, é estagiária da função pública, e o mais provável é que daqui a dois meses vá embora”, referiu Manuela Niza Ribeiro.

A paralisação dos trabalhadores não policiais do SEF está a afetar sobretudo os serviços de documentação, processual e de atendimento ao público.

A presidente do SINSEF disse à agência Lusa que os trabalhadores não policiais do SEF reivindicam uma carreira específica, exigindo um estatuto de carreira especial.

A sindicalista realçou que atualmente não está em causa aumentos salariais, sendo uma questão que adiada para o orçamento de 2018, mas sim “o reconhecimento da especificidade da carreira”, através da criação de um estatuto próprio, como aconteceu com os inspetores do SEF.

Manuela Niza Ribeiro adiantou que atualmente os trabalhadores não policiais estão integrados na carreira geral da função pública, mas, realçou, que “fazem muito mais do que trabalho administrativo”.

Segundo o sindicato, os funcionários não policiais do SEF constituem quase metade dos trabalhadores daquele organismo e são responsáveis pela logística, tratamento de informação, análise de dados e pesquisa de segurança que sustentam as decisões de concessão de vistos, nomeadamente dos ‘vistos gold’.

A presidente do sindicato afirmou que “o SEF não pode ser confundido e tratado como uma mera polícia de fronteira, mas sim como um serviço multifacetado”.