Cerca de 200 pessoas juntaram-se hoje frente à sede da Comissão Europeia em Lisboa, numa vigília de solidariedade com o Governo da Grécia, no dia de uma reunião crucial do Eurogrupo em Bruxelas.

«Nem mais um sacrifício pelo euro» e «Viva Alexis Tsipras e todo o seu Governo» eram algumas das frases que se liam nas dezenas de cartazes empunhados pelos manifestantes, onde se destacavam diversos dirigentes do Bloco de Esquerda.

Amalia, com dupla nacionalidade, grega e portuguesa, segurava um cartaz onde se lia «Eu sou grega», e afirmou à Lusa: «Estou presente em todas as lutas. Temos de dizer basta. Temos de pôr fim ao sofrimento do povo grego e do povo português».

Palavras de ordem emitidas por um megafone interrompiam as conversas entre pequenos grupos concentrados ao final da tarde em redor da estátua de Jean Monnet, um dos mentores do projeto europeu.

«Não à Maria Luís, Viva Varoufakis [ministro das Finanças grego]», foi uma das frases que ecoou durante a concentração, convocada por um conjunto de ativistas, incluindo elementos do movimento «Que se lixe a Troika!», através das redes sociais.

«Comunidade Europeia, não roubes a esperança», era a frase em grego e anunciada num cartaz por Carlos, 38 anos, guia turístico e conhecer da língua helénica.

«Após os meus pais terem trabalhado 40 anos na Alemanha e regressado a Portugal, sou eu que agora me vejo na iminência de ter de partir», diz.

«A minha geração não sabe o que é trabalho com direitos. Na Grécia, as coisas são às claras, mas aqui o que me perturba é não conseguirmos ver uma luz no fundo do túnel», desabafa.

Na concentração destacou-se a presença de vários deputados e dirigentes do Bloco de Esquerda, que conversavam animadamente enquanto em redor circulavam novos cartazes, agora com a bandeira da Grécia. «Je suis Syriza», «De pé», «O medo mudou de lado», «Nem mais um sacrifício pelo euro» eram algumas das frases escolhidas.

«A Europa tem de deixar para trás as políticas de austeridade. Temos de ter políticas pró-emprego, políticas sociais e para o desenvolvimento. Este modelo conservador e que só aproveitou a alguns grupos económicos e algumas multinacionais está definitivamente condenado. Temos de o alterar», disse à Lusa o deputado do BE Luís Fazenda, que conversava numa roda de amigos.

«Em nome dos gregos, mas sobretudo em nome da Europa e dos portugueses temos de estar na linha da frente destas transformações. Este é o ano das transformações», vaticinou.

Catarina, uma das organizadoras desta concentração, que se iniciou «de forma espontânea no Facebook» concretizou os objetivos da iniciativa: uma «presença simbólica» de apoio ao Governo grego, liderado pelo partido da esquerda radical Syriza desde as eleições de 25 de janeiro, e «comunicar que em Portugal a austeridade não é inevitável».

O «exemplo do Syriza» afirma-se agora como o elemento aglutinador das diversas correntes da esquerda portuguesa. «É uma mensagem de esperança e queremos outras políticas, que não são as do desemprego e da miséria que este governo aplicou nos últimos quatro anos», concluiu Catarina.

Para domingo, está convocada para o Largo de Camões em Lisboa, e ao início da tarde, uma nova manifestação de solidariedade com a Grécia no âmbito de uma «jornada internacional», como referiam os panfletos distribuídos durante a vigília.