O presidente da Confederação do Comércio e Serviços (CCP) considera os apoios às vítimas dos incêndios anunciados no sábado pelo Governo “globalmente" positivos para as empresas, mas alerta para “lacunas” ao nível dos impostos e da formação profissional.

Em declarações à Lusa, Vieira Lopes disse que as medidas anunciadas no sábado pelo Governo são “globalmente" positivas, embora considere que possa haver algumas “interrogações” sobre como serão depois implementadas.

Os apoios às empresas ao nível do pagamento de salários, à reconstrução das empresas e as isenções das contribuições para a Segurança Social são medidas bem acolhidas pela CCP, mas Vieira Lopes considerou que “há duas ou três lacunas” importantes.

Não vimos referência alguma a temas sobre isenções ou, pelo menos, atrasos necessários no pagamento ao fisco. Não há nada nesse sentido e isso para nós é importante, tendo em conta o modo como o fisco atua hoje em relação a qualquer falha de pagamentos”, afirmou.

Para o presidente da confederação empresarial, deveria ser feito em relação aos impostos “algo semelhante” ao que está previsto na área da Segurança Social, como “o deferimento de pagamentos e mesmo isenções durante um período de três meses, prorrogáveis”. Em concreto, poderia atuar-se ao nível do IRC (Imposto sobre o Rendimento Coletivo), do pagamento por conta ou de taxas municipais ou nacionais, explicou.

Vieira Lopes também defendeu que, nesta altura em que muitas empresas estão paradas à espera da reconstrução, seria importante fazer um plano de formação profissional.

Há muitos trabalhadores que vão ficar parados e seria interessante aproveitar esses momentos de paragem, precisamente utilizando os meios e facilidades disponíveis, para fazer planos de formação profissional”, defendeu o presidente da CCP.

O responsável destacou ainda a importância de linhas de financiamento da banca, "com taxas de juro simbólicas ou taxa zero", uma vez que algumas empresas "vão ter bastantes dificuldades de funcionamento porque há perda de poder de compra naquelas zonas pelo menos durante algum tempo".

Entre as medidas apresentadas no sábado, está um apoio temporário, num mínimo de três meses, para pagamento de salários de trabalhadores com emprego em risco em consequência dos incêndios de junho em Pedrógão Grande e de meados de outubro em vários pontos do país, medida que poderá custar 13 milhões de euros.

Segundo o ministro do Trabalho, Vieira da Silva, podem estar em risco cinco mil postos de trabalho devido à destruição provocada pelos incêndios.

Serão ainda disponibilizados cerca de 100 milhões de euros para a reparação de empresas.

As centenas de incêndios que deflagraram no domingo, o pior dia de fogos do ano segundo as autoridades, provocaram 44 mortos e cerca de 70 feridos, mais de uma dezena dos quais graves.

Os fogos obrigaram a evacuar localidades, a realojar as populações e a cortar o trânsito em dezenas de estradas, sobretudo nas regiões Norte e Centro.

Esta é a segunda situação mais grave de incêndios com mortos em Portugal, depois de Pedrógão Grande, em junho deste ano, em que um fogo alastrou a outros municípios e provocou, segundo a contabilização oficial, 64 mortos e mais de 250 feridos. Registou-se ainda a morte de uma mulher que foi atropelada quando fugia deste fogo.