Há altos níveis de gorduras trans nos produtos alimentares em Portugal, em especial nos bolos e bolachas, que estão a contribuir para um aumento do risco de doenças cardiovasculares, conclui um estudo realizado na Universidade do Porto.

Bolachas com cobertura, waffles, bolos de pastelaria ou batatas fritas são alguns dos alimentos que apresentam um alto nível de ácidos gordos trans e que aumentam o risco de doenças cardiovasculares e, portanto, a sua ingestão deve ser residual”, alertou, nesta sexta-feira, Pedro Graça, diretor do Programa Nacional de Alimentação Saudável, em entrevista à agência Lusa.

A gordura trans é um tipo de gordura presente nos alimentos, geralmente oriundos da transformação industrial, e que aumentam significativamente o risco de doença cardiovascular, devendo a sua ingestão ser “tão baixa quanto possível”, indicou Pedro Graça, referindo que o ideal seria ingerir abaixo de 1% do total de energia que se consome diariamente”, ou seja a sua ingestão deveria ser “quase residual”.

O estudo sobre ácidos gordos trans nos produtos alimentares em Portugal, recentemente publicado na revista científica “Food Control”, foi realizado por uma equipa da Faculdade de Farmácia da Universidade do Porto, com o apoio da Direção Geral de Saúde, do Programa Nacional da Alimentação Saudável e da Organização Mundial de Saúde.

Os produtos que tradicionalmente são fontes industriais alimentares de gorduras trans são as bolachas, bolos de pastelaria, algumas batatas fritas, alguns tipos de gordura que estão presentes em refeições prontas a consumir e nos óleos parcialmente hidrogenados, enumerou Pedro Graça, da Faculdade de Ciências de Nutrição e Alimentação da Universidade do Porto (FCAUP).

Para evitar ou diminuir o consumo de ácidos gordos trans deve-se variar o mais possível nos produtos de pastelaria ou bolachas, não consumindo sempre da mesma marca e sempre que houver em primeiro lugar a informação no rótulo “gordura ou óleo total ou parcialmente hidrogenada” deve evitar-se o produto, aconselhou aquele especialista.

Em Portugal, os produtos mais ricos em gorduras trans são, por norma, também os mais económicos.

Como na rotulagem tradicional ainda não está identificado o ácido gordo trans, o consumidor para identificar essa gordura trans deve ficar atento à composição e a termos como “gordura parcialmente hidrogenada” ou “óleos totalmente ou parcialmente hidrogenados”, explicou.

O consumidor deve optar por carnes magras e privilegiar os laticínios magros ou meio gordos, sugeriu ainda Pedro Graça.