Três testemunhas indicadas pelo casal McCann foram hoje ouvidas no início do julgamento em processo civil, por difamação, do ex-inspetor da Polícia Judiciária Gonçalo Amaral, após ação intentada pelos pais da criança inglesa desaparecida no Algarve, em 2007.

A informação foi prestada à agência Lusa por Isabel Duarte, advogada dos pais de Madeleine McCann, no primeiro dia do julgamento em que a juíza Maria Emília Melo e Castro determinou que não havia razões para que a audiência fosse à porta fechada, como pretendia Gonçalo Amaral, que esteve presente como arguido na Vara Cível de Lisboa.

Depois de, anteriormente, as partes não terem chegado a acordo extrajudicial na ação cível, em que os pais de Madeleine McCann pediam uma indemnização de 1,2 milhões de euros por alegada difamação do ex-inspetor da PJ (que investigou o desaparecimento da criança), o julgamento teve início com a inquirição de três testemunhas - um canadiano e dois ingleses -, «amigos» do casal McCann.

Nesta primeira sessão, a juíza teve de adaptar o julgamento às regras do novo Código de Processo Civil, reforma legislativa que entrou em vigor a 1 de Setembro.

O julgamento prossegue na sexta-feira com a inquirição de mais cinco testemunhas indicadas pelos pais de Madeleine, sendo que três deles são familiares do casal McCann.

Em declarações à Lusa, Isabel Duarte disse que, desde o princípio, o casal McCann sempre esteve aberto a um acordo extrajudicial com Gonçalo Amaral, mas que não foi possível chegar a um entendimento com o arguido.

Frisou, contudo, que o objetivo principal do casal McCann era a de que a investigação ao desaparecimento da criança fosse retomada, o que, segundo disse, já se concretizou, sem adiantar pormenores ou outras pistas.

Em processo conexo, a 7.ª Vara do Tribunal Cível de Lisboa decidiu, em janeiro de 2010, manter a proibição da comercialização do livro «Maddie: A Verdade da Mentira», da autoria de Gonçalo Amaral, e do vídeo com o mesmo título, baseado num documentário exibido na TVI.

A proibição do livro e do vídeo, que apresenta a tese de Gonçalo Amaral de envolvimento de Kate e Gerry McCann no desaparecimento da filha com a ocultação do cadáver, tinha sido decretada provisoriamente a 9 de Setembro de 2009.

A 19 de Outubro de 2010, o Tribunal da Relação de Lisboa anulou a decisão da 7.ª Vara Cível, após o qual o casal McCann recorreu para o Supremo Tribunal de Justiça (STJ). Em acórdão de 18 de março de 2011, o STJ confirmou a decisão da Relação.

Madeleine McCann desapareceu a 3 de maio de 2007, num apartamento de um aldeamento turístico na Praia da Luz, no Algarve, onde se encontrava de férias com os pais e os dois irmãos gémeos.

Na altura do desaparecimento, Gonçalo Amaral era coordenador do Departamento de Investigação Criminal da Polícia Judiciária de Portimão.

Kate e Gerry McCann, que sempre afirmaram que a criança foi raptada, foram constituídos arguidos em setembro de 2007.

O processo foi arquivado por falta de provas, em julho de 2008, embora o Ministério Público admita a reabertura se surgirem dados novos sobre o desaparecimento da criança.