A 11 de março de 1975 o general António de Spínola dirigiu as operações que pretendiam levar a um golpe de Estado. O coronel César Neto Portugal pilotou um dos aviões que sobrevoou o regimento de artilharia de Lisboa, o local onde se centraram as operações, e esteve esta quarta-feira no Jornal das 8, da TVI.

O coronel recordou que, na altura, o país estava «muito próximo de uma guerra civil» e que as pessoas tinham «muito medo» de falar.

«Isto estava muito próximo de uma guerra civil, mas ninguém falava porque estava tudo cheio de medo. As pessoas tinham as famílias para sustentar.» 



Alvejado durante as operações, o coronel descreveu a missão e explicou que foi tudo feito «em cima do joelho». 

«Francamente foi tudo em cima do joelho. O que nós íamos fazer era neutralizar o ralis. A missão era: os helicópteros levavam os paraquedistas e nós com os aviões sobrevoávamos e dávamos apoio. Só disparávamos se fossemos alvejados. [...] Eu só disparei depois de ter sido atingido.»


A tentativa de golpe de estado fracassou, mas o coronel admite que só se apercebeu disso mais tarde, já na prisão, onde esteve durante 10 meses.

«Só mais tarde, talvez atá na prisão é que soube que aquilo tinha fracassado.»


Quarenta anos depois da tentativa de golpe que obrigou Spínola a refugiar-se em Espanha e, mais tarde, a exilar-se no Brasil, muitos jovens até desconhecem este acontecimento histórico. Mas no bairro de Santa Maria dos Olivais, os moradores mais velhos não esquecem o dia em que viram as ruas e alguns prédios do bairro invadidos por militares.