A Associação de Beneficiários da Obra de Rega de Odivelas (ABORO), proprietária dos terrenos onde decorreu a festa ilegal naquela barragem, diz que não autorizou a iniciativa, e admite apresentar queixa caso o local fique com lixo.

«Os terrenos são privados e a ABORO não autorizou a festa. Não fomos nós que denunciámos a situação, mas este campismo ilegal não foi autorizado», afirmou esta segunda-feira à agência Lusa Manuel Reis, presidente da associação.

O responsável, contactado pela Lusa, reagia ao facto de terrenos na margem da barragem de Odivelas, abrangendo os concelhos de Ferreira do Alentejo e Alvito, terem sido utilizados, desde quinta-feira, para um acampamento e uma festa "rave" ilegal.

De acordo com a GNR, a festa, alegadamente convocada através da Internet, chegou a juntar «cerca de duas mil pessoas», a maioria estrangeiros, que acamparam nas imediações a água, em caravanas ou tendas.

Depois de uma intervenção da GNR, no sábado, os participantes começaram a abandonar o local no dia seguinte, operação que ainda decorre hoje, permanecendo, contudo, «muita gente» junto da albufeira alentejana.

A barragem de Odivelas serve para a rega e está integrada no sistema global do Alqueva. A sua água é de domínio público hídrico, mas gerida pela ABORO, proprietária dos terrenos.

Questionado sobre esta situação, Manuel Reis, além de frisar que a festa não foi autorizada, manifestou receio de que os participantes deixem ficar lixo, causando poluição.

«Estamos a acompanhar toda a situação. Ainda lá estão hoje pessoas, por isso, só depois de todos terem saído é que vamos poder fazer uma avaliação, para ver como ficou o local», explicou à Lusa.

O presidente da ABORO referiu ainda ter ouvido «dizer» que os participantes «são pessoas muito respeitadoras da natureza e do ambiente e que, por isso, não deixam lixos».

«Agora, esperemos que isso seja realmente verdadeiro. Desde que não haja lixo, em termos ambientais não há problema porque tudo o que existe ali é vegetação espontânea. O que me preocupa é se ficar lixo ou óleo das viaturas», afirmou.

No caso de ser detetado algum prejuízo, realçou, a ABORO admite vir a apresentar queixa às autoridades, nomeadamente à GNR.

«Se for caso disso, nomeadamente se ficar lixo no local, vamos denunciar às autoridades», sublinhou.

Por lei, «cabe ao proprietário dos terrenos limpar o lixo» que se encontre na zona, mas Manuel Reis alegou que a ABORO «não tem que ser penalizada por uma festa que não autorizou», enfatizou.

Em declarações à Lusa, fonte do Comando Territorial de Beja da GNR disse que os militares que se encontram na zona da barragem, a monitorizar a saída dos participantes da festa, estão a alertá-los para «levarem o lixo».

«Há aspetos que têm sido negociados com eles e o que lhes tem sido dito é que têm de levar o lixo», frisou, acrescentando: «Eles estão a fazê-lo, mas pode sempre haver pessoas mal-intencionadas que não cumpram».

A festa "rave" ilegal motivou o descontentamento de outros frequentadores da albufeira e queixas à GNR apresentadas por turistas e pelo parque de campismo local, devido ao ruído e ao volume elevado da música.

No sábado, a GNR fez uma ação de fiscalização e apreendeu o material sonoro. Após essa ação, cinco militares sofreram ferimentos ligeiros, ao serem atingidos por objetos, nomeadamente pedras, atirados alegadamente por participantes da festa.

A Guarda divulgou hoje ter detido três franceses, que participaram na "rave", por posse de armas proibidas, apreendendo ainda diversas drogas e instaurado cinco autos de contraordenação por consumo de estupefacientes.