Os dois iraquianos suspeitos de agressão a um jovem em Ponte de Sor, na quarta-feira, não foram identificados pelas autoridades a conduzir qualquer viatura, nem no local foi detetado um carro que lhes pertencesse.

De acordo com o oficial de relações públicas do Comando Territorial de Portalegre da Guarda, José Moisés, “a GNR não detetou, em momento algum, estes dois suspeitos da prática daqueles factos [agressões] no ato da condução”.

Quando a GNR chegou ao sítio da ocorrência, explicou o oficial, “os suspeitos não estavam no local”, encontrando apenas o jovem agredido “com ferimentos graves, testemunhas e pessoas que se encontravam naquela zona”.

Nós chegámos aos dois irmãos [filhos do embaixador do Iraque em Portugal] pelos testemunhos, pela indicação de quem seriam, pelas características e, como anteriormente já tinha acontecido uma situação [desacatos junto a um bar] em que estes dois rapazes já tinham sido referenciados, naturalmente foi fácil fazer a ligação”, explicou.

Sobre o eventual envolvimento de uma viatura do corpo diplomático no caso – as notícias iniciais apontavam para que tivesse havido um atropelamento do jovem -, o oficial remete esta situação para os relatos efetuados por testemunhas que, na comunicação social, têm referenciado esse pormenor.

Os suspeitos da prática dos factos tinham uma viatura pertencente ao corpo diplomático e é daí que surge a questão da viatura. Há, na comunicação social, nas diversas notícias que têm saído sobre isto, testemunhos de pessoas que dizem ter assistido aos factos que reportam isso”, disse.

No entanto, quando chegam “ao local onde ocorreram as agressões, aquilo que [os militares da GNR] já encontram é uma vítima, testemunhas daqueles factos ou pessoas que já estão naquele local”.

O oficial de relações públicas do Comando Territorial de Portalegre da GNR acrescentou ainda que não foi formalizada no posto de Ponte de Sor qualquer queixa por parte dos dois iraquianos sobre supostas agressões de que também tenham sido vítimas, não excluindo, no entanto, que os mesmos possam ter efetuado uma possível queixa em qualquer posto policial ou junto do Ministério Público.

Na quarta-feira, Rúben Cavaco, de 15 anos, foi agredido em Ponte de Sor e sofreu múltiplas fraturas, tendo sido transferido para o Hospital de Santa Maria, em Lisboa. Os filhos do embaixador iraquiano, ambos de 17 anos, são suspeitos das agressões e, em entrevista à SIC na segunda-feira, deram a sua versão dos factos e garantem que estão a colaborar com a polícia sem terem invocado imunidade diplomática. 

Num comunicado conhecido na segunda-feira, a embaixada do Iraque em Lisboa alega que os filhos do embaixador agiram em legítima defesa, depois de terem sido "severamente espancados" e insultados por seis pessoas em Ponte de Sor.

A TVI apurou, entretanto, que Ruben Cavaco já acordou do coma e deverá sair, ainda nesta terça-feira, dos cuidados intensivos do Hospital de Santa Maria, em Lisboa, onde se encontra internado desde a agressão.