Os militares da GNR e os agentes da PSP identificados em risco de suicídio vão poder ser encaminhados para os Serviços Locais de Saúde Mental. É o que dizem dois protocolos que vão ser assinados esta quarta-feira, em Lisboa.

Os protocolos, celebrados entre a PSP, a GNR e o Alto-Comissariado da Saúde, estabelecem a criação de um sistema de referenciação e de encaminhamento dos militares da GNR e dos agentes da PSP considerados em risco de suicídio para os Serviços Locais de Saúde Mental.

De acordo com os dois acordos, compete ao Gabinete de Psicologia da PSP e ao Centro de Psicologia e Intervenção Social da GNR fazer a referenciação e eventual encaminhamento dos elementos considerados em risco de suicídio para o Serviço Local de Saúde Mental «mais adequado, sem exclusão de outros serviços já existentes, com base em critérios de risco e procedimentos de avaliação cientificamente validados».

Os casos sinalizados poderão ser atendidos pelos serviços psiquiátricos num prazo não superior a 24 horas, além de terem a possibilidade de internamento quando existe indicação clínica.

Embora os dados epidemiológicos existentes não evidenciem uma diferença significativa em relação à população em geral, em 2008 houve um aumento do número de suicídios cometidos por elementos das forças de segurança, lê-se nos protocolos.

Dados do Comando-Geral da GNR, em 2008 suicidaram-se 12 militares da Guarda Nacional República e este ano o número de suicídios é já de quatro. Na PSP, os números são inferiores, tendo no ano passado se suicidado quatro agentes da PSP, de acordo com fonte policial.

Os Gabinetes de Psicologia da GNR e da PSP «têm sido dotados de mais recursos humanos e descentralizaram as suas valências, mas importa reforçar os meios de prevenção deste fenómeno», referem ainda os acordos.

Os protocolos, homologados pelos ministros da Administração Interna, Rui Pereira, e da Saúde, Ana Jorge, têm como objectivo prevenir o fenómeno no seio das forças de segurança.