A detenção de 11 pessoas, por suspeita dos crimes de lenocínio e de tráfico de droga, na madrugada de hoje, em Pombal, resultou de uma investigação de dois anos da GNR, disse à Lusa o comandante Henrique Faria.

Segundo o comandante do Destacamento Territorial de Pombal da GNR, a investigação iniciou-se há cerca de dois anos, "na sequência de uma denúncia de lenocínio", enviada pelos serviços do Ministério Público de Pombal, para investigação.

"No âmbito da nossa investigação, chegámos à conclusão que este crime era praticado essencialmente num estabelecimento de diversão noturna, frequentado por clientes de sexo masculino, que procuravam senhoras para a prática do ato sexual. O contacto era estabelecido entre as duas partes no rés-do-chão e, depois, acertados os pormenores, subiriam, para o 1.º andar, onde eram praticados os atos", explicou o comandante.

Henrique Faria revelou ainda que, no decorrer da operação, foram detetados três homens "em flagrante".

Na moradia, na zona Norte de Pombal, encontrava-se, habitualmente "um número variável, entre dez e 20 senhoras, que frequentariam esta casa, para a prática deste tipo de crime".

Além deste estabelecimento de diversão noturna, decorreram buscas noutros dois, situados também em Pombal, no distrito de Leiria, que estariam ligados ao "crime de tráfico de estupefacientes", que também "foi investigado no âmbito deste processo".

O comandante salientou que os crimes de lenocínio e de tráfico de droga, por norma, estão ligados. "Teríamos um indivíduo responsável pelo crime de lenocínio e também ligado à exploração do estabelecimento. Acabaria por ser ele traficante e consumidor de produto estupefaciente, e algumas destas senhoras também eram consumidoras", informou.

O comandante esclareceu ainda que, dos onze detidos, dois irmãos estrangeiros estarão indiciados do crime de lenocínio. "Os restantes estarão ligados aos crimes de tráfico de estupefaciente e de posse ilegal de armas."

Estes dois irmãos "usariam outro indivíduo como testa de ferro", que estava "em termos legais ligado à exploração do estabelecimento", adiantou o responsável da GNR.

Da operação policial resultou a apreensão de uma viatura, 29 gramas de heroína, 137,2 gramas de haxixe, 131,3 gramas de cannabis, 20 pastilhas de ecstasy, 0,5 gramas de MDMA, 0,8 gramas de cocaína, nove balanças digitais, 15 telemóveis, armas brancas, gás lacrimogéneo e computadores.

Foram ainda apreendidos sete armas de fogo, várias munições, 624 preservativos, "outros objetos relacionados com a prática de atos sexuais e 2395 euros em notas."

"A quantidade anormal de preservativos indicia a prática do crime de lenocínio", adiantou Henrique Faria, explicando também que a viatura apreendida "era usada pelo indivíduo ligado a um estabelecimento de diversão noturna".

Em relação ao armamento, o comandante considerou que "indicia que são indivíduos que já andam nesta prática há algum tempo", que "não evitam em munir-se de algum tipo de armamento que lhes confira alguma segurança para a sua rotina diária".

A GNR também deteve várias latas de gás lacrimogéneo, que deveriam servir como "meio de defesa das senhoras".

Na operação de hoje foram elaborados "vários autos de contraordenação de polícia geral, no âmbito da fiscalização do estabelecimento alvo de busca, assim como nove autos de contraordenação, na sequência da fiscalização de canídeos encontrados nas residências alvo de busca, sendo um deles de raça potencialmente perigosa Pitbull", acrescentou o comandante Henrique Faria.

Segundo o comandante do Destacamento Territorial de Pombal da GNR, a operação de hoje envolveu mais de 170 elementos dos comandos territoriais de Leiria, Santarém, Aveiro, Coimbra e Unidade de Intervenção de Lisboa, que deram cumprimento a 14 mandados de busca e cinco mandatos de detenção, "culminando com a detenção de 11 pessoas" de nacionalidade portuguesa e estrangeira, com idades entre os 19 e os 43 anos.

Um dos detidos tem antecedentes criminais ligados ao tipo de tráfico de droga.