A Associação dos Profissionais da Guarda (APG/GNR) considera que os cortes previstos para setor da segurança interna na proposta de Orçamento do Estado para 2015 podem pôr em causa a segurança do país.

«Não esperávamos mais um corte. Parece que as forças de segurança não são um bem necessário para a democracia do país, se não fosse a segurança, certamente que a democracia era posta em causa. O governo e o ministro têm que repensar estas medidas, que podem pôr em causa a segurança do país», disse à agência Lusa o presidente da APG, César Nogueira.

A segurança interna vai ter um orçamento de 1.963 milhões de euros em 2015, correspondendo a uma diminuição de 4,2 por cento face a 2014, segundo a proposta de Orçamento do Estado para 2015 entregue no parlamento na quarta-feira.

O documento adianta que a despesa do subsetor do Estado apresenta uma diminuição de 3,8 por cento em 2015 devido essencialmente à «redução da despesa com o pessoal, nomeadamente nas pensões de reserva e encargos com a saúde e do menor encargo a suportar com o SIRESP (Sistema Integrado das Redes de Emergência e Segurança em Portugal), em resultado da renegociação daquela PPP».

César Nogueira adiantou que o Orçamento do Estado deste ano «já foi muito mau» e a proposta para o próximo ano «vai ainda agravar mais as forças de segurança».

O presidente da associação socioprofissional mais representativa da GNR manifestou-se também preocupado com a possibilidade das novas entradas para a corporação ficarem limitadas.

«A questão de haver poucos ingressos no futuro, principalmente no próximo ano, preocupa-nos porque na GNR atravessamos um período muito difícil de falta de efetivo», afirmou, acrescentando que «já não se consegue fazer uma escala de serviço sem se sacrificar cada vez mais os militares» e estão de regresso as «24 horas de serviços seguidas, quase sem períodos de descanso».

César Nogueira criticou ainda os cortes no subsistema de saúde da GNR, sublinhando que «já estava a prever» que tal acontecesse, uma vez que são os militares que estão a suportar a saúde desde que se reduziu a comparticipação por parte da entidade empregadora.