O comandante distrital de Bragança da GNR, Sá Pires, mostrou-se hoje «surpreendido» com a evolução da criminalidade nesta região, que no ano de 2013 registou um decréscimo de 11,5 por cento.

De acordo com dados do comandante, não houve qualquer tipo de crime com aumento de ocorrências, «o que é altamente tranquilizante» e até motivo de surpresa, perante a atual situação do país.

«A notícia é tão boa que até ficámos surpreendidos porque nestes tempos de crise e com a instabilidade económica e social era de esperar que houvesse alguma oscilação (em sentido contrário) em termos de criminalidade», afirmou.

Os dados foram avançados nas comemorações do Dia da Unidade do Comando Territorial de Bragança, que completou hoje 101 anos.

O comandante atribuiu os resultados estatísticos ao trabalho das polícias que, considerou, «estão a investigar melhor, estão a fornecer melhores provas ao Ministério Público, o Ministério Público consegue sustentar uma acusação mais eficazmente e os juízes têm melhores condições para julgarem os crimes e como tal atingem-se mais sentenças condenatórias».

Sá Pires defendeu que prova disso é o aumento do número de presos, mais 2.000 nas cadeias portugueses no último ano.

Em zonas rurais como as de Bragança, que são maioritariamente a área de intervenção da GNR, há mais notícias de assaltos, mas o comandante distrital acredita que é mais o mediatismo e o sentimento de insegurança do que a quantidade.

«Nós temos furtos que têm alguma repercussão e que depois o único dano é a fechadura da porta, não quer dizer que não seja um furto e que não nos preocupe, mas temos menos do que aqueles que é suposto e, felizmente, menos do que aqueles que as pessoas julgam que existem», declarou.

A GNR do Distrito de Bragança perdeu 40 efetivos nos últimos cinco anos, porém o comandante assegurou que os 573 elementos em funções permitem a esta força de segurança «fazer bem» o seu trabalho e dar resposta às solicitações.

«Estamos em todas as sedes de concelho e temos nalguns concelhos até postos de segunda linha. Em termos de efetivo não estamos assim tão mal», considerou.

A maior dificuldade que a GNR enfrenta nesta região, segundo ainda aquele responsável, é a dimensão territorial «muito grande» e a dispersão geográfica.

«Temos grandes áreas para nos deslocarmos e tempos longos para chegarmos às ocorrências», enfatizou.