A Associação dos Profissionais da Guarda considerou esta segunda-feira que a OCDE desconhece o «défice de efetivos» da GNR em Portugal e só por isso sugere a redução do número de funcionários das forças de segurança. Por parte da PSP, ASPP chama a atenção para o número de agentes que não desempenham funções policiais.

«A OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico) certamente desconhece, principalmente na GNR, o défice que esta tem de efetivos. Se a intenção é reduzir ainda mais os profissionais da GNR, estes já não conseguem aguentar a carga horária excessiva devido à falta de efetivos», disse à Lusa César Nogueira, presidente da Associação dos Profissionais da Guarda.

César Nogueira reagia desta forma a um relatório da OCDE que recomenda a Portugal a continuação da aposta na redução do número de funcionários públicos para melhorar a eficiência dos serviços.

O relatório «OECD Economic Survey» refere que, apesar de o emprego público ter caído cerca de 8% desde 2012, ainda há «excesso de funcionários» em áreas específicas, como as forças de segurança e a educação.

«Com mais de 450 polícias por 100 mil habitantes, a polícia portuguesa é a segunda maior força na Europa», em termos relativos, lê-se no documento que a Lusa cita,

O presidente dos Profissionais da Guarda reconhece que os recursos humanos da força de segurança podem ter «uma gestão melhorada», mas lembra que a GNR tem desde há quatro anos «um défice de cerca de cinco mil profissionais».

«Cada vez é pior para conseguir fazer o serviço diário pois é notória a redução de efetivos que tem ocorrido nos últimos anos. Não faz sentido [a redução proposta pela OCDE]», explicou, sublinhando que os profissionais já têm uma sobrecarga de trabalho «pois não têm horários, e são sobrecarregados horas a fio pela falta de efetivos notória de norte a sul do país».

Paulo Rodrigues, presidente da ASPP, disse entender os relatórios quando estes vão no sentido de olhar para os números dos polícias na sua globalidade, tendo em conta que Portugal é um país pequeno.

«De facto, se juntarmos todas as forças e serviços de segurança, percebe-se que o número é muito grande para a realidade que temos em Portugal e para o país que somos, não somos assim tao grandes, não temos assim tantos habitantes que justifique tantos polícias», considerou.

No entanto, Paulo Rodrigues defendeu que a questão tem de ser analisada de uma outra forma, contabilizando os polícias que estão a desempenhar funções policiais e aqueles que, apesar de terem tirado o curso de polícia, estão em comissões de serviço nacionais ou no estrangeiro.

«Há muitos polícias que não estão a desempenhar funções policiais mas sim de outro tipo, mas infelizmente o governo está a adotar uma política de redução ao contrário, está a fazer com que se aumente o número de polícias em serviços de apoio administrativo, porque não têm condições de saúde ou físicas para desempenhar funções operacionais, pois entende que não deve recrutar mais cidadãos mantendo os que já cá estão, mesmo tendo 57, 58 e 59 anos que não são possíveis colocar como operacionais», justificou em declarações à Lusa.