A Associação Nacional de Guardas (ANAG-GNR) vai pedir uma reunião ao ministro da Administração Interna, Miguel Macedo, para exigir mais eficácia na punição de agressões a agentes de forças policiais, disse este sábado à Lusa o presidente da associação.

Virgílio Ministro disse que a ANAG-GNR pretende pedir a intercessão de Miguel Macedo para o assunto «chegar ao Ministério da Justiça e fazer-se qualquer coisa para que, nestes casos, os processos sejam mais eficazes e mais céleres».

A ANAG-GNR apelou às autoridades judiciais para que punam efetivamente os autores de agressões a militares da GNR, que em alguns casos «são reincidentes» e «fazem apostas» para agredir elementos policiais.

Virgílio Ministro apontou três casos que deixam a associação «muito preocupada», o último ocorrido no sábado, quando cinco militares da GNR ficaram feridos ao procederem à apreensão de equipamentos de som numa festa «rave» ilegal na barragem alentejana de Odivelas.

O presidente da ANAG-GNR lembrou também uma agressão a um militar do posto da GNR Águeda por parte de «um indivíduo que andava na pesca ilegal», assim como a militares que fazem o reforço de verão no Algarve e foram agredidos por um grupo de jovens estrangeiros, em Albufeira, num incidente que, segundo o dirigente associativo, já tinha acontecido no ano passado.

«Tem vindo a haver muitas agressões. Estes casos foram os que mais realce tiveram na Comunicação Social. Mas há outros casos pontuais e de menor gravidade», lamentou o presidente da ANAG-GNR, frisando que, no caso do Algarve, «o grupo fez uma aposta com o indivíduo em como conseguia agredir aquele militar».

Virgílio Ministro explicou que se trata de «um grupo de jovens, que já no ano passado cometeram o mesmo delito».

«São indivíduos dos subúrbios de Paris, vêm para o Algarve e fazem apostas. Até se fala em apostas de 100 euros em como conseguem agredir aquele militar, que é do corpo especial e, por isso, a adrenalina é maior», acrescentou, frisando que «há pelo menos um indivíduo que é reincidente e no ano passado também integrava um grupo que tinha agredido militares» em Albufeira.

A Associação Nacional da Guarda quer, por isso, que Portugal deixe de ser «um país de brandos costumes» e os autores das agressões a elementos das forças de segurança passem a ser punidos de forma mais pesada e célere.

«Quaisquer cidadãos, noutros países da Europa, que cometam delitos contra as forças de segurança, são julgados, condenados exemplarmente e ficam impedidos de entrar nesse país durante um determinado período de tempo, de quatro ou cinco anos», exemplificou.

Virgílio Ministro contrapôs esta situação com a verificada em Portugal, onde os autores de agressões a elementos das forças de segurança «vão a tribunal, ficam com termo de identidade e residência, vão-se embora, não acontece nada e persiste uma impunidade de tal forma que se torna banal agredir um agente da autoridade».

«Que sejam julgados. Não há cá termos de identidade e residência, o indivíduo é presente em tribunal e julgado», defendeu o dirigente associativo, advertindo que, «se pega a moda nos grupos organizados em Portugal» e a punição não for exemplar, as agressões a elementos das forças de segurança vão aumentar.