Um terceiro GNR ficou, esta terça-feira, ferido numa troca de tiros, alegadamente com um dos suspeitos dos incidentes desta manhã em Aguiar da Beira. Este terceiro incidente aconteceu em Candal, São Pedro do Sul.

À semelhança com as vítimas encontradas durante a manhã junto ao carro patrulha da GNR, também este incidente em Candal estará relacionado com a troca de tiros da madrugada. 

A polícia mandou parar o suspeito, que baleou o militar nas pernas.

A TVI apurou que pelo menos um suspeito está cercado em Manhouce, perto de São Pedro do Sul. 

A GNR informou já que está a concentrar todos os esforços para tentar detetar e capturar os suspeitos que terão matado um militar e ferido outro, em Aguiar da Beira, tendo também sido alertadas as autoridades espanholas.

Neste momento, a GNR dirigiu todos os esforços para detetar os suspeitos, estão todos os comandos limítrofes em ação, no apoio. A polícia espanhola está obrigatoriamente ao corrente dos acontecimentos, pois não podemos descartar a possibilidade de os suspeitos saírem do país", revelou o major Pedro Gonçalves.

Um militar da GNR de 29 anos foi morto e um outro de 41 anos ficou ferido com gravidade, numa altura em que realizavam uma patrulha em Aguiar da Beira.

De acordo com Pedro Gonçalves, estarão envolvidos no mínimo dois suspeitos que devem ser encarados como perigosos, estando um deles identificado e referenciado por outras atividades criminosas, para além de estarem também já duas viaturas suspeitas referenciadas.

Montámos uma operação no terreno com todos os meios disponíveis da GNR, mais outras forças e serviços de segurança. [A operação] divide-se em controlo de determinados locais, como fronteiras, e fundamentalmente uma componente móvel, onde os meios estão a ser colocados em determinados pontos do território nacional para que rapidamente se localizem e capturem os suspeitos", informou.

Ao contrário do que foi noticiado anteriormente, os dois militares da GNR de Aguiar da Beira foram alvejados durante a madrugada numa ação de patrulhamento e não na sequência de terem sido chamados a responder a um assalto.

Segundo Pedro Gonçalves, os militares terão sido alvejados depois de terem confrontado os suspeitos.

Viemos a aperceber que os suspeitos transportaram um militar para um local próximo, situado a cinco quilómetros. O outro militar ferido foi encontrado no primeiro local na zona industrial de Aguiar da Beira, localidade de Vila Chã", acrescentou.

A GNR só começou a suspeitar que algo se passava com os dois militares em patrulha porque a viatura em que seguiam esteve imóvel durante muito tempo e não conseguiram contactar os militares.

Os militares não tiveram tempo de pedir ajuda, o que nos leva a pensar que foram surpreendidos. A GNR teve conhecimento que algo se estava a passar por volta das 5:00, 6:00 da manhã, mas a situação ocorreu antes disso: os nossos militares não utilizaram o nosso armamento", apontou.

Ainda durante a manhã, enquanto eram efetuadas buscas aéreas, a GNR detetou mais "duas vítimas civis com ferimentos de bala: um senhor que já não apresentava sinais vitais e uma senhora que ainda apresentava sinais de vida e que se encontrava num estado com gravidade".

Haverá um elevado grau de probabilidade das duas situações estarem interligadas, já que estavam próximos da viatura que foi abandonada", admitiu.

Este casal, com idades na casa dos 40 a 50 anos, já está identificado.

Vítimas em estado grave

A mulher baleada sofreu um traumatismo cranioencefálico grave e encontra-se no bloco operatório a ser intervencionada, disse à agência Lusa fonte do Centro Hospitalar Tondela-Viseu.

De acordo com o diretor do Serviço de Urgências do Centro Hospitalar Tondela-Viseu, Miguel Sequeira, a mulher foi a terceira vítima dois crimes de Aguiar da Beira a dar entrada naquela unidade hospitalar e "deverá ficar internada na unidade de cuidados intensivos após cirurgia".

Já o primeiro a chegar ao Centro Hospitalar Tondela-Viseu foi um militar da GNR de 41 anos, também ele com um traumatismo cranioencefálico causado por arma de fogo.

"O homem foi avaliado pelo Serviço de Otorrinolaringologia, Cirurgia Maxilofacial e Neurocirurgia. Está estável e foi internado no Serviço de Neurocirurgia", informou.

No Centro Hospitalar Tondela-Viseu deu ainda entrada um outro militar da GNR, de 29 anos, que chegou já cadáver.

Recolha de provas no local terminou

A Polícia Judiciária e a GNR terminaram cerca das 14:00 de hoje a recolha de indícios junto à Estrada Nacional (EN) 229, em Aguiar da Beira, onde foi encontrado um militar morto e dois civis alvejados, um destes também morto.

O major Pedro Gonçalves, Relações Públicas do Comando Territorial da GNR da Guarda, explicou aos jornalistas que neste local foi encontrada a viatura da GNR com o militar na bagageira. Tratava-se de Carlos Caetano, de 29 anos, natural de Aguiar da Beira.

Os dois civis encontravam-se "a dez metros da estrada e a cerca de cem metros, mais para dentro do mato, estava a viatura, provavelmente com o objetivo de a ocultar", referiu, acrescentando que "se presume que uma situação esteja relacionada com a outra".

A viatura da GNR foi rebocada do local pouco antes das 14:00. Até essa hora, o trânsito na EN 229 foi sendo momentaneamente cortado de forma a permitir a recolha dos indícios.

Junto a um hotel que está em construção na zona industrial de Aguiar da Beira, próximo das Caldas da Cavaca, foi encontrado ferido outro militar, António Ferreira, natural de Lisboa e residente em Penalva do Castelo, de 41 anos.

O acesso ao hotel, que está situado numa zona isolada, encontra-se interdito, mantendo-se no local uma viatura e três militares da GNR.

Pedro Gonçalves explicou que já houve alguns furtos na zona industrial, "normalmente durante a noite e a estabelecimentos que estão desocupados, não têm vigilância ou funcionários". Os dois militares andavam a fazer patrulhamento e "a última vez que deram informação para a sala de situação foi cerca das 3:30", explicou.

A GNR só começou a suspeitar que algo se passava com os dois militares em patrulha porque a viatura em que seguiam esteve imóvel durante muito tempo e não conseguiram contactá-los.

O militar ferido no tiroteio, de acordo com o hospital de Viseu, está estabilizado, mas ainda necessita de cuidados médicos.

A ministra da Administração Interna, Constança Urbano de Sousa, enviou uma mensagem de condolências à família do militar da GNR de Aguiar da Beira, no distrito da Guarda, que morreu em serviço.

“Em nome do Governo, a ministra da Administração Interna expressa a mais profunda consternação pela perda de mais um elemento das forças de segurança ao serviço da garantia da proteção dos cidadãos”, lê-se na mensagem de condolências.