A Ordem dos Médicos (OM) reafirma as acusações de troca abusiva de medicamentos nas farmácias, garantindo que compilou dados a comprová-lo, e exige uma auditoria nacional.

«Não só o aumento do consumo de genéricos se deve exclusivamente aos médicos, como as farmácias, por sistema, dispensam medicamentos mais caros do que aqueles que foram receitados», sustenta a OM em comunicado enviado à agência Lusa.

Os médicos insistem que os doentes estão a ser «económica e clinicamente prejudicados» e exigem uma auditoria nacional.

Ao mesmo tempo, a Ordem faz um apelo para o diálogo entre «os parceiros do circuito do medicamente», mediado pelo ministro da saúde.

A OM afirma ter informações que comprovam - com base nos dados de um agrupamento de centros de saúde - que as farmácias «trocam reiteradamente» os genéricos prescritos pelos médicos por medicamentos mais caros.

«Existe um padrão de substituição de marcas mais baratas prescritas pelos médicos por marcas mais caras dispensadas ao balcão das farmácias», acusa a OM.

Os médicos defendem que a legislação desprotege «quase totalmente» os doentes no ato da dispensa, rejeitando que os impostos dos portugueses sejam usados para «pagar às farmácias para cumprir a lei».

A Ordem sugere uma auditoria nacional no Centro de Conferência de Faturas para comparar dados da prescrição e da venda, no sentido do «esclarecimento definitivo de toda a verdade».

O ministro da Saúde, Paulo Macedo, já avisou os médicos e os farmacêuticos que o diferendo que estão a protagonizar, desde o mês passado, por causa da venda de medicamentos genéricos, pode custar-lhes a credibilidade junto dos portugueses.