Por: Redacção / CP | 17- 5- 2010 21: 23
O presidente da Associação Internacional de Gays e Lésbicas (ILGA), Paulo Côrte Real, congratulou-se com a promulgação pelo Presidente da República do diploma do casamento homossexual, afirmando que Portugal
dá um «exemplo» contra a discriminação.
A promulgação vem «acabar com uma exclusão, uma fractura que diferenciava
as pessoas em função da orientação sexual», afirmou, declarando «agrado e satisfação» com a decisão de Cavaco Silva.
«É
uma medida que promove os valores da liberdade e da igualdade e que não tem consequências na liberdade das outras pessoas,
portanto é um exemplo que Portugal dá neste Dia Mundial de Luta Contra a Homofobia», acrescentou.
Paulo Côrte Real
destacou que a discriminação pela orientação sexual é «um problema exigente, com consequências gravíssimas nos mais diversos
países», reiterando que é «um orgulho ver Portugal liderar a luta contra este tipo de discriminação».
Já o
presidente da associação Opus Gay, António Serzedelo, considerou que o Presidente da República «ajudou Portugal a dar um passo
em frente».
Contactado pela agência Lusa após a declaração de Cavaco Silva, António Serzedelo destacou que aconteceu
«num dia muito bonito», o Dia Mundial de Luta contra a Homofobia.
António Serzedelo frisou que Cavaco Silva tratou
a lei aprovada pelo Parlamento em Fevereiro «como um problema secundário» para agora «nos podermos centrar nos problemas cruciais
que temos de enfrentar nos próximos dias e nos próximos meses», referindo-se à crise financeira.
Cavaco Silva agiu
com «ética de responsabilidade acima das convicções pessoais», salientou ainda o activista pelos direitos dos homossexuais
e transexuais.
Vale de Almeida «muito satisfeito»
O deputado do PS Miguel Vale de Almeida disse
que, «no geral, ficou muito satisfeito» com a decisão.
«No geral, fico muito satisfeito, porque, de facto, o PR cumpriu
a sua função de protector da Constituição e de defensor dos direitos dos cidadãos», referiu à agência Lusa o deputado e activista
dos direitos LGBT (lésbicas, gays, bissexuais e transgéneros).
Apesar da satisfação manifestada, Miguel Vale de Almeida
disse ser «curioso» que Cavaco Silva tenha dignificado o assunto com uma comunicação ao país quando, anteriormente, considerou
várias vezes que o assunto não era «prioritário».
«Mas, enfim, fez aquilo que um PR deve fazer, que é respeitar a
decisão democrática da Assembleia da República e neste caso particular trata-se de alargar direitos a cidadãos da República
portuguesa sem tirar direitos a ninguém», comentou.
O deputado considerou, porém, «infelizes» referências a uniões
civis em outros países, dizendo que esse argumento «não cola», porque em sua opinião são soluções de segunda categoria quando
comparadas com o diploma aprovado em Portugal.
Miguel Vale de Almeida criticou também alusões feitas por Cavaco Silva
quanto à crise económica e ao desemprego em Portugal para justificar a promulgação do diploma dos casamentos homossexuais,
quando uma coisa «não tem relação» com a outra.
Panteras Rosa à espera da adopção
O activista Sérgio
Vitorino, da associação Panteras Rosa, afirmou ter recebido «sem surpresa» a promulgação da lei, destacando que esta «abre
a porta» à discussão sobre a adopção.
«Esperava que a lei fosse promulgada, porque a Assembleia da República já tinha
legitimidade para legislar sobre o tema», disse à agência Lusa, frisando que os activistas estão concentrados «noutras questões
que ficaram por resolver».
Sérgio Vitorino afirmou que, ultrapassada a legislação do casamento entre pessoas do mesmo
sexo, vai «abrir-se a porta» à discussão «das crianças que existam dentro destas relações e que vão passar a ser discriminadas
dentro de um casamento que não as contempla e no qual, na verdade, são elas as discriminadas».
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