Por: tvi24 / CP | 16- 3- 2010 17: 34
O Centro Avançado de Sexualidades e Afectos (CASA), no Porto, considera «insólito» que o Presidente da República «tente
obstaculizar» a adopção por casais do mesmo sexo.
«A CASA considera insólito que a Presidência da República tente
obstaculizar aquilo que o Centro Avançado de Sexualidades e Afectos considera um imperativo em prol da igualdade e uma justa
reposição da democracia, da justiça, da dignidade e da cidadania em Portugal», salienta, em comunicado, o presidente da associação.
Em
causa está a nota divulgada pela Presidência da República, segundo a qual o chefe de Estado requereu ao Tribunal Constitucional
«a fiscalização preventiva da constitucionalidade das normas dos artigos 1.º, 2.º, 4.º e 5.º do Decreto nº 9/XI da Assembleia
da República que permite o casamento civil entre pessoas do mesmo sexo», excluindo da verificação o artigo 3.º, que se refere
à adopção.
No seu ponto um, o artigo estipula que «as alterações introduzidas pela presente lei não implicam a admissibilidade
legal da adopção, em qualquer das suas modalidades, por pessoas casadas com cônjuge do mesmo sexo», salienta o comunicado.
«Na
perspectiva da CASA, este era o único ponto que feria de anti-constitucionalidade o presente diploma, ao excluir da adopção
os casais do mesmo sexo e, em simultâneo, ao criar uma dupla discriminação entre pessoas casadas e não, no acesso ao livre
acto de adopção», acrescenta o documento.
A associação considera ainda que este tipo de atitudes representam «um
retrocesso no trajecto que se pretende e se impõe em direcção à universalidade do direito à felicidade».
O presidente,
Manuel Damas, esclarece que a associação ficará a aguardar «com apreensão» a decisão do Tribunal Constitucional, «reservando-se
o direito/dever de desencadear outras atitudes que considere legítimas perante a gravidade da situação».
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