A Associação de Professores de Matemática considerou, esta quarta-feira, «estranho» que o Gabinete de Avaliação Educacional tenha identificado problemas de interpretação nos exames de 2012 num relatório e não os tenha transmitido às equipas que elaboraram as provas deste ano.

Em declarações à agência Lusa a propósito da divulgação do relatório que indica que a média nacional dos exames de Matemática do 9.º ano passou a positiva 2011/2012, a presidente da Associação de Professores de Matemática (APM), Lurdes Figueiral, focou o seu comentário nas conclusões do documento de que «a maior parte dos alunos tem problemas ao nível da interpretação das provas, com o grau de abstração».

A média nacional dos exames de Matemática no 9.ºano passou em 2011/2012 a fasquia do negativo, subindo dez pontos percentuais, para 54,4%, segundo o relatório publicado pelo Gabinete de Avaliação Educacional (GAVE)

No relatório, o GAVE refere que, de um modo geral, na Matemática, os alunos manifestaram dificuldades na resolução de problemas que envolviam a leitura e interpretação de um texto, o raciocínio matemático e a capacidade de abstração.

«A mim parece-me mais complexo e estranho que o GAVE não tenha passado às equipas que elaboraram as provas de Matemática deste ano as suas análises. Achamos estranho que uma das maiores dificuldades nos exames em 2011/2012 do 6.º e 9.º anos tenha sido o grau de dificuldade de interpretação das perguntas e que nada tenha sido feito para evitar isso nas provas deste ano», disse.

Para Lurdes Figueiral, a dificuldade de interpretação dos alunos nos exames foi aumentada este ano devido à forma de elaboração da prova, acrescida do aumento do número de alunos nas salas de aula e da perda, no caso do ensino básico, de horas «preciosas de trabalho» com o fim do reforço de aprendizagem na Matemática.

No relatório, o GAVE sublinha a necessidade de se investir «na construção de conhecimento explícito sobre os contextos de ênclise, mesóclise e próclise, relevantes para o estudo da estrutura da frase».

Recomenda ainda um investimento em tarefas que permitam «o treino de aspetos relacionados com a coerência textual, uma vez que se trata de aprendizagens que os alunos deverão mobilizar não só no âmbito de exercícios de leitura, mas também no aperfeiçoamento do processo de escrita».