O Grupo de Ativistas em Tratamento (GAT) exige que as autoridades tomem medidas para adquirir mais vacinas contra a hepatite A, estimando que as 12 mil doses disponíveis não sejam suficientes até ao fim deste ano.

Segundo Luís Mendão, presidente do GAT, as 12 mil doses de vacinas contra a hepatite A de que Portugal dispõe não vão ser suficientes para todo o ano de 2017.

O GAT exige do Ministério da Saúde, Direção-Geral de Saúde (DGS), Comissão Técnica de Vacinação e Infarmed medidas urgentes e excecionais para resolver a situação da falta de vacinas em quantidade necessária para travar este surto epidémico”, refere o GAT num comunicado hoje divulgado.

Em declarações hoje à agência Lusa, o presidente do GAT considerou necessário que Portugal adquira mais vacinas para prevenir, no futuro, novos surtos de hepatite A.

Segundo Diogo Medina, médico do GAT, as vacinas existentes em Portugal estima-se que cheguem até fim de junho, sendo necessário acautelar que o país terá mais vacinas para depois.

“O GAT alerta para Portugal tomar medidas para que não chegue à situação de Espanha, que tem zero vacinas”, afirmou à Lusa Diogo Medina, que tem trabalhado com a DGS neste surto de hepatite A.

Confrontado com estas afirmações, o Infarmed garantiu à agência Lusa que “Portugal dispõe de um número adequado daquelas vacinas face às necessidades identificadas pela Direção-Geral da Saúde (DGS), tendo em conta a utilização de acordo com os critérios que constam da norma publicada no dia 09 de abril pela DGS”.

"O Ministério da Saúde tem mantido estreita articulação com as empresas titulares destas vacinas, estando planeadas entregas adicionais e faseadas destas vacinas durante o ano de 2017, em quantidade suficiente para normalizar a utilização no mercado português”, adianta o instituto que regula o setor do medicamento em Portugal.

A própria DGS já reconheceu que existe mundialmente um problema de produção de vacinas da hepatite A que está relacionado com os próprios laboratórios que as produzem, mas tem afirmado que Portugal tem vacinas suficientes para este surto se forem administradas criteriosamente.

Aliás, no início da semana, a DGS divulgou uma norma onde define quem deve ser vacinado contra a hepatite A, perante o surto que atinge Portugal e que já infetou desde o início do ano mais de 170 pessoas.

As vacinas da hepatite A administradas no âmbito deste surto passam a ser gratuitas e com isenção de taxas moderadoras. Devem ser vacinadas pessoas que vivem ou têm contacto sexual com doentes com hepatite A até duas semanas após o último contacto, também são elegíveis para vacinação homens que praticam sexo anal ou oro-anal com outros homens e que se deslocam ou vivem em locais afetados pelo atual surto.

Quanto aos viajantes com destino a países endémicos para a hepatite A só são elegíveis para vacinação a título excecional, devendo o médico prescritor da vacina contactar previamente a DGS.

De acordo com Diogo Medina, estima-se que Portugal necessita de cerca de 36 mil vacinas por ano só para viajantes. Quanto aos homens que têm sexo com homens, seriam necessárias, se todos fossem vacinados, cerca de 20 mil vacinas.

No âmbito deste surto, vacinando os contactos familiares ou íntimos de quem está doente, seriam ainda necessárias mais três a quatro mil.

Segundo Luís Mendão, do GAT, a Autoridade do Medicamento (Infarmed) tem a possibilidade de fazer uma aquisição de vacinas fora da União Europeia, sendo necessário um processo especial de autorização de importação que tem de ser preparado atempadamente.

De acordo com o GAT, desde julho de 2016 que está notificado na Europa um surto de infeção pelo vírus da hepatite A, com registo dos primeiros casos em Portugal em dezembro do ano passado.

Do total de doentes notificados em Portugal, 94% são adultos jovens do sexo masculino, principalmente residentes na área de Lisboa e Vale do Tejo (82%), sendo o principal modo de transmissão o contacto sexual entre homens que fazem sexo com homens.