O Grupo Português de Ativistas sobre Tratamentos de VIH/SIDA (GAT) demitiu-se esta segunda-feira de todas as comissões que integrava como membro, alegando «falta de respeito» por ter deixado de ser previamente consultado na aprovação de medidas de controlo da epidemia.

«Demitimo-nos de todos os lugares para que fomos convidados, enquanto não formos respeitados», anunciou Luís Mendão, presidente do GAT, durante a sessão de abertura do Congresso nacional «VIH, Doenças Infeciosas e Microbiologia Clinica», que decorre até quarta-feira em Lisboa.

Luís Mendão explicou aos jornalistas que o GAT se demitiu das comissões científicas para as quais tinha sido convidado a participar como membro, designadamente a de criação de estratégias anti-virais e a de elaboração de orientações terapêuticas para tratamento do VIH.

«Nestes dois últimos anos, foram aprovados documentos chave para controlo da epidemia sobre os quais não tivemos conhecimento», afirmou, citado pela Lusa.

O responsável sublinhou que se o GAT foi convidado para participar num organismo, é para «dar a opinião antes de a decisão ser tomada». Para Luís Mendão, não faz sentido continuar a pertencer como membro de comissões se estas «não lhe dão a possibilidade de dar a sua contribuição antes de tomarem decisões».

O presidente do GAT denunciou ainda que os concursos do Estado para projetos a desenvolver em 2015 na área da Sida, que deveriam ter sido abertos em maio, ainda não abriram, quase no fim de 2014. «Em maio abrem os concursos do Estado que identificam as prioridades para o ano seguinte e que permitem às organizações candidatarem-se e porem no terreno medidas», explicou.

Este ano isso não aconteceu e a data de abertura dos concursos passou para outubro, sem que tal tenha acontecido novamente. Em dezembro, o GAT queixa-se de ausência de informação sobre o assunto, desconhecendo se vai haver concursos e se vai planear trabalho no terreno para 2015. «Não é possível planear atividades nestas circunstâncias», frisou.

O presidente do GAT denunciou ainda que, apesar dos passos positivos que têm sido dados, «os meios postos à disposição» do coordenador do programa nacional de luta contra o VIH/Sida «são insuficientes».

«O Programa Nacional para a Infeção VIH/SIDA não tem meios financeiros, humanos e técnicos alocados para responder às necessidades», afirmou, acrescentando que criar medidas «no papel é fácil», mas difícil é aplicá-las no terreno.

Luís Mendão referia-se especificamente a estudos para conhecer melhor a epidemia, identificar onde estão os problemas e o que está a falhar, bem como investir no rastreio de populações mais atingidas e garantir que os serviços essenciais continuam a funcionar.

Relativamente aos medicamentos, considerou que têm que passar a ter «rapidamente preços comportáveis» e apelou à indústria farmacêutica para que «faça um esforço adicional nos preços que propõe ao SNS para que os doentes não tenham que se sujeitar a medicamentos tóxicos e de efeito pouco eficaz».