Uma explosão numa fábrica de pirotécnia, na tarde desta quarta-feira, em localidade Guilharei, no concelho galego de Tui, terá causado307 feridos e a morte de uma mulher, além de ter deixado um rasto de destruição nos arredores, a poucos quilómetros da fronteira norte de Portugal e da cidade de Valença.

Na aldeia onde ocorreu a explosão, haverá dezenas de casas destruídas, segundo refere o jornal galego Faro de Vigo, o qual refere que uma mulher terá mesmo perdido a vida, devido ao rebentamento.

"Há muitas casas praticamente destruídas. Temos de atuar com muita precaução porque há material que pode explodir", concluiu.

No local da explosão, em Guilharei, as equipas de emergência continuam a vasculhar os escombros, de forma a verificar se não haverá vítimas encurraladas. 

O momento da explosão foi registado em vídeo a partir de uma estação de gasolina próxima, um momento divulgado pela rádio Antena3.

Dono da fábrica detido

De acordo com a Europa Press, a Guardia Civil deteve o dono de uma pirotecnia em Baldráns, em Tui, pela explosão do material guardado numa casa na paróquia de Paramos.

Segundo fontes da investigação, o homem, que se encontra detido na Comarca de Pontevedra, está indiciado dos crimes "homicídio, imprudência e estragos".

As fontes citadas pela agência, dizem ainda que a empresa já tinha tido problemas urbanísticos no passado, mas atualmente encontrava-se ativa, aberta ao público e "a funcionar com normalidade".

Assim sendo, a detenção resulta do facto de o dono da empresa ter escondido, de forma "clandestina", material pirotécnico numa casa (familiar)

Incêndios nos arredores

A explosão num armazém de uma fábrica de pirotecnia na localidade Guilharei, Baldráns, provocou também “danos e incêndios em habitações situadas nas proximidades”, segundo disse à agência Lusa, fonte da proteção civil portuguesa.

O Comando Distrital de Operações e Socorro (CDOS) de Viana do Castelo revelou que foram acionados os bombeiros voluntários de Valença, no total de 13 operacionais e cinco viaturas para apoio aos meios espanhóis que se encontram no terreno.

A explosão provocou “danos e incêndios em habitações situadas nas proximidades” e foi sentida “num raio de seis/sete quilómetros”, segundo o comandante dos bombeiros de Valença, o qual adiantou que a fábrica de pirotecnia não está licenciada.

Já o jornal Faro de Vigo relata que "as casas vizinhas ao armazém onde a explosão foi registada foram muito afetadas".

Perto, no lugar de A Torre, em Paramos, moradores tentam apagar o fogo causado pelos cartuchos de pólvora e foguetes que foram disparados devido à explosão, sendo que muitos abandonaram as casas e há mesmo o relato de um caso em que o teto caiu.

Na rede Twitter, utilizadores mostram imagens dos locais próximos após a explosão, caso de Paramos.

Também a página do Faro de Vigo apresenta um vídeo dos destroços verificados no local da explosão.

Valença sem danos de maior

A explosão na fábrica de pirotecnia, que várias fontes afirmam ser ilegal, foi também alvo de um comunicado da Câmara Municipal de Valença, cidade portuguesa fronteiriça, onde também terá havido consequências de pouca gravidade.

Informamos a população valenciana que a explosão sentida por volta das 15h30, em Verdoejo, Ganfei, Valença e arredores, ocorreu em Guilharei – Tui. Solicita-se que mantenham a calma visto no nosso concelho não existirem danos de maior", refere o curto comunicado da Câmara de Valença.

As autoridades galegas montaram um centro de cuidados para os feridos e afetados na Casa Cultural de Guillarei, bem como uma linha telefónica de emergência.

Morador salvou-se de explosão por se encontrar na cave da habitação

Fernando Alonso, morador a 200 metros do armazém, disse à Lusa que se salvou por se encontrar na cave da habitação que ficou "totalmente destruída".

"Salvei-me por estar na cave e, mesmo assim, o impacto da explosão levantou-me no ar e peso 100 quilos. Tinha acabado de chegar a casa e entrei pela cave. Foi a minha salvação", descreveu à Lusa o morador no lugar de A Cancela, Páramos, em Tui, na Galiza.

Fernando Alonso, de 49 anos de idade, disse que a explosão foi "fortíssima", tendo "arrancado telhado, portas e janelas da habitação".

"Nunca vi coisa igual. Não ficou nada, ficou tudo destruído", referiu, adiantando que o armazém, "clandestino e que já tinha recebido ordem para encerrar, fica situado junto à casa da família proprietária de uma fábrica de pirotecnia, instalada a cerca de dois quilómetros do local".

Segundo aquele morador, a explosão foi sentida na cidade de Vigo, a cerca de 30 quilómetros.

"Uns amigos telefonaram-me de Vigo e disseram que sentiram a explosão, relatando mesmo que a casa em que vivem tinha estremecido", adiantou.