O secretário-geral da Federação Nacional de Professores (Fenprof), Mário Nogueira, considerou esta quinta-feira «inadmissível» que dezenas de professores não tenham conseguido entrar nas galerias da Assembleia da República quando estas estavam incompletas.

«Vergonha», disse Mário Nogueira, quando saiu da Assembleia da República e chegou à rua junto dos restantes professores que não conseguiram entrar para assistir ao debate sobre a prova de conhecimentos.

Durante a concentração de docentes junto à Assembleia da República, os deputados Helena Pinto, do Bloco de Esquerda (BE), e Miguel Tiago, do PCP, juntaram-se aos manifestantes depois de saberem que houve dificuldades de acesso às galerias do Parlamento.

Aqueles que conseguiram entrar acabaram por ser expulsos pela polícia, depois de se terem manifestado nas galerias.

Mário Nogueira adiantou que as galerias não foram preenchidas e que os polícias deixavam entrar «quatro pessoas de 15 em 15 minutos».

O secretário-geral da Fenprof adiantou que os professores vão continuar a lutar pela anulação da prova de conhecimentos.

Mário Nogueira considerou a prova «uma humilhação a todos os professores tendo em conta que eles são habilitados para dar aulas».

«Vamos até ao fim para anular a prova», prometeu, acrescentando que a Fenprof mantém a greve para dia 18, dia da realização da prova de conhecimentos.

Fenprof entrega na sexta-feira pré-aviso de greve

Mário Nogueira disse que vai entregar na sexta-feira o pré-aviso de greve para 18 de dezembro.

No final da concentração que juntou várias centenas de professores junto à Assembleia da República, Mário Nogueira afirmou que o pré-aviso de greve a todo o serviço relacionado com a prova exigida a todos os docentes contratados que queiram dar aulas e tenham menos de cinco anos de serviço vai ser entregue no Ministério da Educação.

Na sua intervenção, o secretário-geral da Fenprof apelou para que todos os professores do quadro que sejam chamados para vigiar as provas façam greve a 18 de dezembro.

«Todos temos de lutar contra esta prova», apelou, sublinhando que «este é um problema de todos os professores».

Mário Nogueira adiantou ainda que a Fenprof vai exigir à Assembleia da República uma explicação sobre os professores que não conseguiram entrar na Assembleia da República para assistir, nas galerias, ao debate parlamentar.

O sindicalista considerou hoje «inadmissível» que dezenas de professores não tenham conseguido entrar nas galerias do Parlamento quando estas estavam incompletas.

«Não é aceitável, quando acabou a discussão toda a parte de cima da Assembleia da República ficou vazia», insistiu.

Mário Nogueira acusou ainda sindicatos de serem «a calçadeira do Governo», uma alusão ao acordo assinado entre a Federação Nacional da Educação e o Ministério da Educação para que a prova passe a ser obrigatória apenas para os docentes com menos de cinco anos de serviço.

Centenas de professores concentraram-se hoje em frente à Assembleia da República para exigirem o fim da prova de conhecimentos que consideram ser «humilhante» para a classe.

Enquanto os professores protestaram na rua, os deputados discutiram em plenário duas petições destinadas a anular a prova e um pedido de apreciação parlamentar da lei feito pelo PCP.