O Tribunal de Vila Nova de Gaia condenou hoje a 25 e 24 anos de prisão uma mulher e um jovem, respetivamente, por terem roubado e matado um homem de 90 anos neste concelho, em 2017.

Segundo a acusação, a mulher, de 34 anos, desempregada, conhecia bem o idoso que, por vezes, a ajudava a pagar as contas.

Agindo com o propósito de lhe roubar objetos de valor e cartões bancários, sustenta o Ministério Público, a mulher e o rapaz de 26 anos entraram na casa do homem, que vivia sozinho, e agrediram-no violentamente, provocando-lhe graves lesões que lhe causaram a morte, refere.

Antes, os arguidos apropriaram-se de diversos objetos em ouro e prata, relógios e telemóveis, que depois venderam, e coagiram a vítima a fornecer-lhes os códigos dos cartões multibanco, tendo posteriormente feito um levantamento de mais de 4.000 euros, salienta acusação.

O homem, morto a 11 de abril, só foi encontrado a 17 de abril, amarrado à cama, depois de familiares estranharem a sua falta de notícias.

No início do julgamento, em abril, a mulher confessou que planeou roubar a vítima porque precisava de dinheiro, mas que nunca teve intenção de matar, nem sequer de usar violência, imputando ao outro suspeito a autoria da morte do homem.

Assumindo ter um relacionamento extraconjugal com o suspeito, a arguida confessou que planeou o assalto porque tinha dívidas para pagar e não se queria prostituir, nem vender droga para as conseguir saldar, tendo sugerido assaltar o homem com quem tinha afinidades.

“Eu sabia que ele tinha dinheiro, sabia onde ele guardava os objetos valiosos, por isso, o plano era roubar-lhe as coisas, mas nunca fazer-lhe mal”, afirmou.

Reiterando que a violência não fazia parte dos planos, a arguida explicou que, no dia do crime, foi a casa do idoso com o arguido e o filho menor, tendo o arguido levado uma faca, taco de basebol e arma sem ela saber. Depois de ameaçarem o homem, obrigaram-no a dar-lhes os códigos dos cartões do multibanco, tendo ela depois saído para confirmar se estavam certos.

No regresso, contou, o homem estava deitado no chão com marcas de sangue e, depois de a ameaçar que a ia denunciar, o coarguido amarrou-o à cama, bateu-lhe e sufocou-o com um cinto.

Apresentando uma versão diferente, o jovem revelou ter conhecido a mulher através do filho desta, de 14 anos, que lhe sugeriu assaltar a vítima mortal para lhe furtar dinheiro.

O filho dela disse-me que era um assalto fácil porque já o tinham assaltado várias vezes”, salientou.

Negando ter tido qualquer tipo de relacionamento com a arguida, o suspeito adiantou que no dia do crime foram os três a casa da vítima mortal e que, depois de entrarem dentro de casa, lhe tapou a boca, enquanto mãe e filho revistavam a casa.

Depois de revistarem a casa, e de se aperceberem que o homem não tinha lá 5.000 euros, tal como suspeitava a arguida, esta ficou “aflita, nervosa e alterada”, tendo-o levado para o quarto, frisou.

“Enquanto mãe e filho ficaram no quarto com o homem, eu fui revistar a casa e quando voltei ao quarto ela estava sentada em cima de uma almofada na cara dele e com um cinto ao pescoço, que eu tirei para ver se respirava”, relatou.

À saída do tribunal, a advogada da mulher não quis prestar declarações aos jornalistas.

Já a advogada do arguido, Teresa Paula Borges, considerou a pena de 24 anos excessiva, por isso, “muito provavelmente” irá recorrer.

Admitindo estar à espera de uma pena de 20 anos, Teresa Paula Borges entendeu que a violência resultou do momento e das circunstâncias.