A candidatura portuguesa à rede de instituições académicas de saúde Aliança M8 teve "grande recetividade", anunciou esta quinta-feirao ministro da Saúde. Paulo Macedo está em Berlim e manifestou, assim, a sua convicção de Portugal vir a integrar o chamado G8 da saúde. 

A Aliança M8 surgiu do grupo G8, mas destina-se à área da saúde e envolve 17 membros de 13 países. Portugal surgirá representado pelo Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC).

A delegação portuguesa vai ser, de resto, convidada do fórum organizado pela associação BME, uma associação com mais de 9.000 membros individuais e corporativos, desde grandes a pequenas empresas, que tem como volume de bens e serviços adquiridos cerca de 1,25 mil milhões de euros por ano.

Todos os anos, 2.000 compradores participam em Berlim no fórum organizado pela BME - volta a realizar-se em fevereiro de 2016 - e o presidente da associação, Christopher Feldmann, que elogiou a competitividade portuguesa, disse hoje aos jornalistas que as empresas portuguesas terão faturado em anteriores participações aproximadamente 100 milhões de euros.

O ministro da Saúde, que hoje terminou uma visita de dois dias à Alemanha, abordou ainda a reunião que manteve com o hospital Charité, em Berlim, o maior hospital universitário da Europa, que terá demonstrado igualmente interesse em colaborar com os centros hospitalares de S. João, no Porto, Lisboa Norte (Santa Maria) e Coimbra.

O responsável da tutela recebeu ainda na embaixada portuguesa em Berlim um conjunto de investigadores da área da saúde radicados na Alemanha e admitiu que Portugal quer aumentar a valorização da investigação clínica.

Paulo Macedo quer igualmente capturar mais ensaios clínicos para Portugal, até porque esta pode ser uma importante fonte de receita para os hospitais que têm centros com estas valências.

A despesa com a saúde em Portugal vai aumentar nos próximos anos na sequência da recuperação dos salários, investimentos em novas unidades de cuidados continuados e ainda com uma atenção reforçada na inovação terapêutica, disse Paulo Macedo à agência Lusa.

O governante, que esteve no ministério alemão da saúde, explicou que responsáveis alemães do setor revelaram atenção com o envelhecimento e procuraram saber que estratégia Portugal está a utilizar com os cuidados continuados.

Indicou ainda que existe no norte da Europa uma questão demográfica que será necessário resolver na base: é preciso aumentar a natalidade para se equilibrar a rede de cuidados aos mais idosos, já que a esperança de vida tende a aumentar, aliás, como em Portugal, sinal de uma melhor qualidade de vida.

Ontem, também na Alemanha, o ministro deu conta que o norte do país quer contratar enfermeiros e paramédicos portugueses