Mais de um milhar de pessoas e elementos operacionais, inclusive de Espanha, assistiram hoje, no quartel dos voluntários de Valença, ao funeral do bombeiro que morreu na sequência das queimaduras sofridas a combater um fogo florestal.

Fernando Manuel Reis, de 51 anos, ficou gravemente queimado durante um incêndio em Sanfins, Valença, a 29 de agosto, numa volta do fogo, quando manobrava a viatura dos bombeiros. Acabou por morrer esta quinta-feira no Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra.

Integrava a Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Valença desde 1987 e foi o sétimo operacional a morrer no combate aos incêndios de agosto em Portugal.

Dos vizinhos galegos de Tui, Espanha, uma equipa com vários elementos da Proteção Civil local, curiosamente liderada por uma portuguesa residente naquela cidade há 15 anos, também compareceu no funeral, ao qual assistiram mais de um milhar de pessoas.

«Somos todos companheiros e quando precisamos de alguma coisa em Tui são os bombeiros de Valença que nos vêm ajudar. Por isso tínhamos de estar cá a prestar homenagem. Inclusive, há muitos anos, num incêndio numa fábrica [em Tui], cheguei a combater com o Fernando Reis», explicou à Lusa Fernanda Conde.

Além de bombeiros de outros pontos da Galiza, neste funeral também esteve presente o alcaide de Tui. Aquele concelho galego forma com Valença a segunda eurocidade de Portugal e Espanha e os bombeiros nacionais são normalmente acionados em caso de incêndio em Tui, recebendo um subsídio anual de 5.000 euros da autarquia galega.

As cerimónias fúnebres contaram também com a presença de representantes das 12 corporações do distrito de Viana do Castelo, mas igualmente de bombeiros de vários outros pontos do país.

O ministro da Administração Interna, Miguel Macedo, e o secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros e Cooperação, Luís Campos Ferreira, também assistiram às cerimónias - tal como o presidente da Liga dos Bombeiros Portugueses -, mas não prestaram declarações aos jornalistas.

«Hoje é um dia muito triste para todos nós. Perdemos um combatente e um companheiro, por isso ficamos mais pobres», admitiu, por seu turno, Luís Brandão Coelho, presidente daquela associação humanitária.

Em 94 anos de história, precisou ainda, esta foi a primeira morte de um operacional no terreno naquela corporação, a qual justifica com a «falência da política florestal» em Portugal.

«Estas mortes [as sete de 2013] são as consequências do esforço para minimizar este risco nas nossas florestas. Caberá a quem tem responsabilidades fazer com que não sejam em vão», desabafou ainda o responsável, que é também presidente da federação de bombeiros do distrito de Viana do Castelo.

O bombeiro Fernando Reis era motorista de profissão mas estava no desemprego há alguns meses. Era casado e tinha dois filhos, de 20 e 24 anos. O mais velho é bombeiro também em Valença, tendo passado ao quadro de reserva desde que emigrou para França já este ano.