Centenas de pessoas participaram, este sábado, em Chaves, no funeral do pintor Nadir Afonso, que faleceu na quarta-feira aos 93 anos, no Hospital de Cascais, onde se encontrava internado.

O corpo do pintor esteve em câmara ardente na quinta-feira, entre as 17:00 e as 24:00, na Capela de Emaús, na Igreja de Santo António do Estoril, onde na sexta-feira se realizou uma missa de corpo presente, seguindo depois o corpo para Chaves, onde teve lugar este sábado a cerimónia fúnebre, na Igreja Matriz.

À saída da igreja, ouviram-se aplausos e assistiu-se à atuação de um coro infantil e de uma banda musical.

A presidente da Assembleia da República, Assunção Esteves, referiu-se ao pintor como um «exemplo», considerando ter sido um «privilégio» conviver com ele. «Nunca me esqueço que Nadir Afonso manteve uma dimensão de identidade intensa, ao mesmo tempo que cruzava o mundo, mundo esse que o reconhecia com um homem singular», disse Assunção Esteves, acrescentando que «poderia mesmo dizer que se há um símbolo da síntese entre a identidade e universalidade, esse símbolo é Nadir Afonso no modo como conservou o sotaque de Chaves».

Assunção Esteves, natural de Valpaços, recordou que o pintor conservava o sotaque melhor do que ela o conservou. «Estou muito feliz pela Assembleia da República ter aprovado um voto de pesar, por unanimidade, pelo reconhecimento do seu riquíssimo percurso, não só como artista, mas como homem», salientou.

O presidente da Câmara de Chaves, António Cabeleira, caracterizou o artista como o «maior embaixador de sempre» da cidade. Por esse motivo, frisou, os flavienses estão-lhe muito gratos, orgulhosos e sentem hoje uma «perda extraordinária».

«O mestre Nadir Afonso, como cidadão do mundo, nunca deixou de dizer que era de Chaves e que vinha cá todos os anos passar férias», afirmou.

A memória do pintor, segundo o autarca, ficará perpetuada na Fundação Nadir Afonso, situada numa das margens do rio Tâmega, num investimento de cerca de nove milhões de euros, que será inaugurada em julho de 2014.

O arquiteto Siza Vieira lamentou que o artista não possa assistir à inauguração da Fundação Nadir Afonso, obra da sua autoria. «As obras estão na reta final, faltando os acabamentos interiores», referiu.

Sobre o projeto, Siza Vieira revelou não ter havido «trabalho intenso» de troca de impressões, porque havia coincidência de ideias.

A morte do mestre é, na opinião do prémio Pritzker, uma perda «muito grande» para a arte.