A Universidade de Vila Real anunciou esta terça-feira um reforço do apoio aos alunos carenciados, com a criação de um fundo que atribui um subsídio de emergência ou disponibiliza uma bolsa de trabalhos temporários remunerados.

A Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), com sede em Vila Real, criou um Fundo de Apoio Social (FAS) que visa apoiar financeiramente «estudantes em comprovado estado de necessidade económica».

«Este apoio não revolve os problemas nem se substitui às bolsas atribuídas pelo Ministério da Educação, mas pretende ser uma ajuda para os alunos», afirmou à agência Lusa a administradora da UTAD, Elsa Justino.

O FAS, cujas candidaturas estão a decorrer, pretende contribuir para o «combate ao abandono e insucesso escolares e para a aquisição e desenvolvimento de competências transversais promotoras da empregabilidade e sucesso profissional».

O fundo é constituído por duas modalidades: o subsídio de emergência e a bolsa de colaboração.

O subsídio de emergência converte-se numa prestação pecuniária ou material, atribuída ao estudante e isenta de qualquer taxa.

A bolsa de colaboração agrega e organiza todas as ofertas de trabalho que já existem na UTAD, como pequenos serviços a nível da biblioteca, cantinas, serviços de informática, Museu de Geologia, eventos ou receção das residências.

Depois, os alunos que quiserem candidatam-se a estas oportunidades de trabalho e recebem uma compensação monetária.

Elsa Justino referiu que a academia transmontana tem já há algum tempo disponíveis trabalhos pontuais para ajudar os alunos que possuem mais dificuldades.

No entanto, agora, segundo a administradora, este apoio é ainda mais necessário devido «ao crescendo de dificuldades» e até à redução dos trabalhos em part-time nas lojas e hipermercados.

Esta bolsa constitui não apenas uma «oportunidade para complementar o rendimento dos mais carenciados economicamente», mas permite, também, adquirir «competências complementares à formação académica, facilitadoras da integração no mercado de trabalho».

Nesta colaboração, são tidas em conta as competências e disponibilidade de tempo dos estudantes, sem prejuízo das respetivas atividades escolares e de aprendizagem.

Neste ano letivo, as bolsas serão atribuídas até maio, reabrindo as candidaturas em setembro. No próximo ano letivo espera-se atingir entre as 100 a 150 ofertas internas.

O FAS é constituído por dotações financeiras da receita própria da UTAD, dos serviços sociais e de empresas ou particulares, tendo como primeiro financiador empresarial o Banco Espírito Santo (BES).

Da parceria entre a UTAD e esta instituição bancária, desde 2011, destaca-se a participação no FAS com um capital inicial de 10.000 euros por ano.

A este capital é acrescido um prémio de 0,25%, por novas contas processadas e domiciliados no BES, relativas a trabalhadores docentes e não docentes, a investigadores, a estudantes e ex-estudantes da UTAD.

São cerca de 2.000 os alunos da academia transmontana que recebem bolsas de estudos atribuídas pelo Ministério da Educação, num total de quatro milhões de euros.