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A Fundação Saramago, por Pilar del Río

A viagem do prémio Nobel recomeça nesta quarta-feira. Um convite e uma mensagem

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   |   2012-06-12 21:20

«A partir de amanhã está aberto e já podem passar por aqui.» É com este convite que Pilar del Río começa a mensagem aos futuros visitantes da Fundação José Saramago que deixa através do tvi24.pt.

Está tudo pronto na Casa dos Bicos, em Lisboa, para abrir as portas da casa dedicada ao Prémio Nobel português. O site da Fundação tem feito uma contagem decrescente em pequenos vídeos, que mostram os preparativos. O da véspera da abertura terminava fixando-se numa frase de Saramago. «O fim duma viagem é apenas o começo doutra. É preciso recomeçar a viagem. Sempre.»

A Fundação recomeça nesta quarta-feira a viagem de Saramago, num espaço de exposição (a primeira chama-se «A semente e os frutos»), de biblioteca aberta a investigadores, de debate. A inauguração será pelas 11h30, a abertura ao público às 14h. Até ao fim de Junho a entrada é gratuita.

Pilar, presidente da Fundação e viúva de Saramago, tem dificuldade em escolher o seu local ou objeto favorito no espaço que agora se torna público. «Depende. Há a biblioteca, a sala de exposições, com documentos absolutamente maravilhosos, às vezes olhar pela janela para a oliveira, onde descansa o José Saramago. Depende do momento, do dia e do que há a fazer.»

Na declaração de princípios da Fundação, Saramago propunha isto:

«a) Que a Fundação José Saramago assuma, nas suas actividades, como norma de conduta, tanto na letra como no espírito, a Declaração Universal dos Direitos Humanos, assinada em Nova Iorque no dia 10 de Dezembro de 1948.
b) Que todas as acções da Fundação José Saramago sejam orientadas à luz deste documento que, embora longe da perfeição, é, ainda assim, para quem se decidir a aplicá-lo nas diversas práticas e necessidades da vida, como uma bússola, a qual, mesmo não sabendo traçar o caminho, sempre aponta o Norte.
c) Que à Fundação José Saramago mereçam atenção particular os problemas do meio ambiente e do aquecimento global do planeta, os quais atingiram níveis de tal gravidade que já ameaçam escapar às intervenções correctivas que começam a esboçar-se no mundo.
Bem sei que, por si só, a Fundação José Saramago não poderá resolver nenhum destes problemas, mas deverá trabalhar como se para isso tivesse nascido.
Como se vê, não vos peço muito, peço-vos tudo.»

Foi Saramago em 2007. Hoje aí está a Fundação, para ser isto. Pilar del Río:

«A Fundação tem como objetivos não só a difusão da cultura portuguesa no mundo, mas valores universais. Como os direitos humanos, de que se fala muito e se faz pouco, e os deveres humanos.

«Saramago disse que a declaração de direitos humanos é nada, se não for acompanhada da simetria dos deveres que lhe correspondem. Os deveres de todos e cada um, nas cidades e no mundo. Se tivéssemos cumprido os nosso deveres, talvez não estivéssemos privados de tantos direitos nesta altura. Na nossa rua, na nossa cidade, no mundo. Os deveres fundamentais de ajuda, de respeito, de cuidado, de atenção ao mundo, os que temos com os outros, com o ambiente. Não são só os políticos que têm de cuidar do mundo.»

«Pretendemos que as pessoas passem por aqui, se encontrem com um nome fundamental da literatura portuguesa, com o espírito de José Saramago, e que visitem este edifício tão carregado de passado, de história, de presente e também de futuro. E esperamos que saiam fortalecidos e mais dispostos a encarar a vida com a energia e o valor que as circunstâncias tão hostis da atualidade exigem.»

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Pilar del Río apresenta a Fundação Saramago EM CIMA: Pilar del Río apresenta a Fundação Saramago

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