A adesão dos guardas do Estabelecimento Prisional do Funchal esta sexta-feira, no primeiro dia da greve de nove dias, foi na ordem dos 50%, disse à agência Lusa o dirigente sindical Valeriano Rosário.

“Os guardas no período da noite não aderiram à greve, mas, neste momento, a recolha feita indica que a adesão é de cerca de 50%”, afirmou, salientando que “esta é uma situação inédita” na cadeia da Madeira.

Rosário Valeriano adiantou que “este é apenas o primeiro dia, sendo de esperar que os guardas prisionais aproveitem esta oportunidade para aderir, porque não haverá muitas oportunidades como esta e toda a gente tem consciência dos problemas que se estão a passar no Estabelecimento Prisional do Funchal”.

O sindicalista opinou que alguns dos guardas estão a “sentir coação psicológica, mas têm de se desinibir porque o objetivo é que todos sejam bem tratados em termos de distribuição de tarefas”.

“Mas, independentemente do sucesso desta greve, não arredaremos pé e não vamos ficar por aqui”, declarou, argumentando que “sobretudo, em causa estão duas pessoas [diretor e um chefe] que estão a semear a instabilidade, que são os principais causadores do mau ambiente no EPF e foram alvo de abaixo-assinados” contra a sua atitude.

O Sindicato Nacional do Corpo da Guarda Prisional convocou uma greve dos profissionais na cadeia da Madeira entre os dias 11 e 20.

Os guardas consideram que este estabelecimento no arquipélago da Madeira é "caracterizado por uma gerência pobre, sem ideias e ações benéficas no sentido da valorização dos recursos humanos, da recuperação do património abandonado e regresso à rentabilidade".

Na documentação enviada à Lusa, os guardas prisionais na Madeira acrescentam que esta situação é "fruto das guerrinhas promovidas pelo diretor" e outros responsáveis "contra uma corporação deveras paciente que já deu sinais de cansaço, indignação e revolta, sentindo-se renegada ao nível do reconhecimento e valorização profissional, e limitada na sua liberdade de expressão pela lei do 'quero, posso e mando'

Estes guardas prisionais também reivindicam o fim das intromissões graves nas escalas de serviço, que comprometem a segurança e o regular funcionamento do estabelecimento e rotatividade no serviço, a substituição da frota de viaturas celulares e de transporte de pessoa.

A ativação do sistema sonoro na zona prisional, por razões de segurança e funcionamento do estabelecimento, o envio de novos bastões, coletes balísticos, equipamentos de proteção pessoal, algemas e armamento para os elementos em funções na Madeira, além de melhores condições trabalho são outras pretensões enunciadas.

A Lusa contactou a direção-geral de Reinserção e Serviços Prisionais (DGRSP), que, sem avançar números da adesão, reiterou respeitar o direito à greve do corpo dos guardas do Estabelecimento Prisional do Funchal (EPF).

“Não obstante os prejuízos que sempre resultam de uma greve, se encontram assegurados, entre outros, a formação, o ensino, as diligências urgentes, as visitas dos advogados e as visitas aos reclusos ao fim de semana”, assegura na mesma nota.