Os incêndios que desolaram esta semana a Madeira deixaram para trás um rasto de destruição. Mas, depois do inferno das chamas, e por entre o mato cinzento que cobre as ruas íngremes que conduzem à zona da Pena, no Funchal, ainda se encontram histórias felizes.

Hoje é tempo de limpezas, mas há poucos dias, centenas tiveram de fugir dali. João, um pequeno herói de apenas 11 anos, foi um deles. Salvou as duas avós de uma casa em chamas.

Tinham acabado de lanchar quando o estrondo da explosão de uma garrafa de gás os alertou para o aproximar do fogo.

Com um discernimento que aos adultos tantas vezes falta em momentos de aflição, João correu para a estrada, fez parar um carro e pediu ajuda para levar as avós para longe dali.

Quem vê esta família de máscaras e luvas de um lado para o outro a recuperar a casa, não diz que passaram pelo “valente susto” de ter de abandonar as habitações sem saber como depois as iam encontrar.

Com as cheias de 20 de fevereiro ainda bem frescas na memória, e um cenário aterrador que não deixa esquecer o inferno de há poucos dias, a família de João limpa as lágrimas, esboça sorrisos e põe mãos à obra.

Estamos a tentar fazer uma casa nova para a minha avó”, explica João.

Diversos incêndios deflagraram na segunda-feira na ilha da Madeira, em vários concelhos da região, tendo o Funchal sido o município que registou as situações de fogos mais complexas, com 160 habitações destruídas.

Os incêndios provocaram três vítimas mortais, dois feridos graves, mil desalojados temporários, 150 habitações danificadas num balanço provisório e avultados prejuízos materiais. 

Faltam realojar pelo menos 101 pessoas que estão em centros de acolhimento, estando ainda a ser apurado o número de desalojados a viver com familiares.