A adesão à greve dos trabalhadores da função pública no Porto ultrapassou, esta sexta-feira, os 70% na saúde na parte da manhã e ficou-se pelos 60% na educação e segurança social, divulgou o coordenador do sindicato do Norte.

“Na saúde, na parte da manhã, ultrapassou os 70% de adesão à greve. Na educação ficou-se pelos 60% e na segurança social também. Na educação pode haver alterações da parte da tarde uma vez que há trabalhadores por turnos”, afirmou Orlando Gonçalves, coordenador do Sindicato dos Trabalhadores em Funções Públicas do Norte.


De acordo com o responsável, na área da saúde há vários blocos operatórios encerrados (hospitais São João e Santo António no Porto, Centro Hospitalar de Gaia e Hospital de Santo Tirso) e as “cirurgias programadas estão todas canceladas”.

Na área da educação o sindicato registou o encerramento de 19 escolas no Porto e na área da Segurança Social, na principal unidade em Miguel Bombarda, “costumam estar oito [trabalhadores] no atendimento e só estiveram três da parte da manhã”.

O dirigente sindicalista falava em frente ao Centro Hospitalar de Vila Nova de Gaia/Espinho onde, disse, ao início da manhã se registou a “maior adesão à greve”.

De acordo com Orlando Gonçalves, “a saúde, até pela falta de pessoal, foi o setor onde mais aderiram”, assinalando que “o pessoal na saúde está exausto” e “tem tido uma carga de trabalho muito excessiva”.

“Aqui no Norte, são raríssimos os hospitais que têm horários legais. Têm turnos de 12 horas, 16, mais que os sete dias [de trabalho] sem folgas, os trabalhadores são poucos, há falta de pessoal nos principais hospitais (…) e claro que sobra uma carga de trabalho e horário para os poucos que estão”, assinalou.

Sobre os motivos da greve, explicou que é “mesmo só pelas 35 horas semanais”.

“E não é porque pode demorar três meses a ser publicada a lei, é porque o governo não garante de que forma vai ser aplicada e muito menos se vai ser aplicada a todos os trabalhadores ao mesmo tempo”, frisou.

Depois do dia de hoje, o sindicato espera que “a Assembleia da República e os partidos que apoiam o governo cumpram o que prometeram durante a campanha” e que seja aprovada “uma lei de 35 horas para todos os mais rápido possível”.

“Nós não temos nenhuma garantia da parte do governo que em outubro tenhamos 35 horas para todos os trabalhadores. O governo vai dizendo, sem abrindo muito o jogo, que as 35 horas só serão aplicadas em serviços em que não haja aumento no orçamento dos serviços. Eu acho que milagres já nem em Fátima, então nunca serão aplicadas”, atirou.

Este é o primeiro protesto da função pública contra o atual Governo, convocado pela Federação Nacional dos Sindicatos dos Trabalhadores em Funções Públicas e Sociais (FNSFP/CGTP-IN).

Em causa está a data de entrada em vigor das 35 horas semanais de trabalho para a Função Pública, que a FNSFP considera que poderia ser antecipada.