A maioria das escolas está encerrada ou vai fechar por falta de professores ou docentes, que aderiram à greve geral, de acordo com um primeiro levantamento feito pela Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas (ANDAEP).

Falei com vários colegas um pouco por todo o país e há uma forte adesão de professores, em especial os do pré-escolar e do 1º ciclo, assim como de assistentes (funcionários) em todos os níveis de ensino”, contou à Lusa o presidente da ANDAEP, Filinto Lima, que esta manhã contactou diretores escolares das zonas de Coimbra, Viseu, Lisboa, Porto e Gaia.

Nestas zonas do país "poderá haver uma ou outra escola aberta, mas os agrupamentos optaram por fechar”, disse o presidente da ANDAED, que estima que, a nível nacional, “a maioria das escolas estará fechada”.

A adesão a esta greve deve ser das maiores dos últimos anos. Os funcionários estão a trabalhar a dobrar porque há uma promessa de mais 1.500 funcionários que continua sem acontecer e a cereja no topo do bolo para os professores foi o Orçamento do Estado que esqueceu os 10 anos de serviço docente”, sublinhou Filinto Lima.

Também contactado pela Lusa, o presidente da Associação Nacional de Dirigentes Escolares (ANDE), Manuel Pereira, acredita que “uma boa parte das escolas vão ter problemas, mas diz não ter dados sobre a adesão à greve.

Manuel Pereira explica que não teve tempo para fazer uma ronda pelo país porque está ocupado em resolver os problemas do seu agrupamento, General Serpa Pinto, em Cinfães: “A minha escola fica encerrada a partir das 10:00, porque não tenho funcionários para fazer a vigilância nem tenho gente para o refeitório. Na E.B. temos cerca de 600 alunos”, explicou.

"Há muitas escolas que já estão encerradas e outras que estão abertas mas vão fechar", diz Manuel Pereira.

Greve fecha "maior parte das grandes escolas" do Porto

A dirigente do Sindicato dos Trabalhadores em Funções Públicas e Sociais do Norte Lurdes Ribeiro disse esta sexta-geira que a greve nacional da função pública convocada pela Frente Comum está a levar ao encerramento “da maior parte das grandes escolas” do Porto.

Falando aos jornalistas junto à escola Clara de Resende, ao princípio da manhã, a dirigente sindical apontou precisamente o exemplo deste estabelecimento de ensino e o da Escola Fontes Pereira de Melo, localizada na mesma zona, ambas encerradas.

De acordo com Lurdes Ribeiro, o mesmo estará a suceder “noutras grandes escolas e também em algumas EB1, que nem sempre aderem às greves, mas que desta vez deram indicações de adesão”.

“Sei que por todo o distrito do Porto vão existir escolas encerradas. Ontem [quinta-feira] à tarde já me diziam que não deveria haver aulas em escolas de Amarante, do Marco de Canaveses e em Paredes”, acrescentou.

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Junto à Escola Fontes Pereira de Melo, a educadora de infância Sara Rosas disse à Lusa que a Associação de Pais já tinha sido alertada para a eventualidade de a escola não abrir, mas, ainda assim, decidiu deslocar-se até ao estabelecimento de ensino para confirmar.

“Poderia haver serviços mínimos e a escola abrir”, disse, referindo compreender as razões de protesto.

Questionada sobre se iria aderir à greve, a educadora explicou que não, por trabalhar “no privado”. De outro modo, aderiria, referiu.

Na mesma escola, Mário Palmeira afirmou que a greve não lhe causa qualquer transtorno por se encontrar reformado e poder ficar em casa com as suas duas filhas.

Além disso, “estarei sempre do lado dos professores, mesmo que eles cometam algumas falhas”, sublinhou.

O encerramento da Fontes Pereira de Melo já se adivinhava desde cerca das 07:30, hora a que os portões costumam abrir, o que não aconteceu hoje.

“Habitualmente, às 07:40 a escola está aberta”, disse Manuel Pereira, que quando questionado sobre onde iria deixar o filho respondeu: “Solução Avó”.

O filho de Manuel Pereira, Bernardo Pereira, de 11 anos, admitiu que a greve é “um descanso”, embora reconheça que é necessário aprender para “tirar boas notas e ser alguém na vida”.

Aulas canceladas nas duas maiores escolas de Braga

A greve da Função Pública levou esta sexta-feira ao cancelamento das aulas em duas das maiores escolas de Braga, mas no hospital, conforme constatou a Lusa no local, pouco se faz sentir.

Em declarações à Lusa, a presidente do conselho de direção do agrupamento de escolas Carlos Amarante, Hortense Santos, explicou que a escola está aberta mas "sem atividade letiva" normal, com exceção para algumas turmas que estão a realizar teste de avaliação.

Na Secundária D. Maria II, o cenário era idêntico durante a manhã de hoje, estando a escola aberta, mas sem aulas. À entrada, encontravam-se inúmeros alunos à porta a decidir como iam passar o tempo e alguns pais preocupados sem terem onde deixar os filhos.

Abrimos a escola, mas não há assistentes operacionais em número suficiente. Por isso, foi suspensa a atividade letiva", explicou à Lusa Hortense Santos.

De acordo com a responsável, as “únicas” atividades que se fazem hoje “são testes de avaliação, que já tinham sido combinados com os alunos".

Na escola D. Maria II, "abriram-se as portas, mas não há aulas", explicou fonte do estabelecimento de ensino. Acrescentou que "quase todos os assistentes operacionais aderiram".

À porta de ambas as escolas, os alunos não se mostravam preocupados com o dia sem aulas. "A malta até agradece. Fazemos fim de semana alargado. Como até está sol, vamos jogar futebol e curtir", afirmou Joel Paulo, 14 anos, aluno da escola D. Maria II.

Mas se para os alunos o dia parece ser “de festa”, para alguns pais, não haver aulas é "um verdadeiro transtorno".

"Ele até já tem idade para estar em casa sozinho, ou a conversar com os amigos, mas preocupa-me é a hora do almoço. Não tenho quem lhe faça almoço", explicou Antónia Cunha, mãe de um aluno da escola Carlos Amarante.

Maioria das escolas fechadas em Faro, secundário menos afetado

A adesão à greve obrigou esta sexta-feira ao encerramento da maioria das escolas em Faro, sobretudo do 1º, 2º e 3º ciclos, paralisação que não afetou tanto as escolas secundárias, onde há aulas a decorrer, constatou a Lusa.

Na capital do Algarve, quase todas as escolas dos primeiros ciclos foram obrigadas a fechar portas devido à paralisação dos professores e funcionários, situação que não foi tão evidente no ensino secundário, onde duas das três escolas do concelho estão abertas, embora com alguns alunos sem aulas.

O centro distrital de Segurança Social, em Faro, está a funcionar normalmente, havendo, às 10:00, menos de uma dezena de pessoas a aguardarem para ser atendidas, mas o Tribunal de Faro, apesar de estar de portas abertas, está a assegurar apenas os serviços mínimos, constatou a Lusa no local.

Já no extremo leste da região, em Vila Real de Santo António, o cenário era idêntico: alunos sem aulas, escolas e alguns edifícios municipais com portas encerradas e unidades de saúde abertas, mas com serviços administrativos fechados.

Na escola secundária de Vila Real de Santo António, e apesar de a porta de entrada estar aberta e serem visíveis funcionários à entrada, não houve aulas por falta de pessoal de apoio ou professores, disse à Lusa uma fonte do estabelecimento de ensino.

A Educação foi assim a área mais afetada pela greve na localidade algarvia, onde o tribunal de Vila Real de Santo António funcionou só com serviços mínimos.

Em Portimão, a greve da função pública levou ao encerramento de praticamente todas as escolas e as que se mantêm abertas estão sem atividade letiva.

Esta situação contrasta com outros serviços públicos, a funcionarem normalmente, entre os quais, o centro de saúde local, Instituto de Emprego e Formação Profissional, a Segurança Social e serviços autárquicos, conforme constatou a Lusa no local.

No hospital e no Centro de Saúde de Portimão, o movimento é o de um dia normal, sem que os utentes se manifestem prejudicados pela paralisação dos funcionários públicos.

Por seu turno, fonte da autarquia disse à Lusa, que a maioria dos serviços autárquicos “está a funcionar com normalidade, não estando a greve a prejudicar o atendimento da população”.

Em causa, nesta greve nacional, está a falta de respostas às reivindicações da Frente Comum, como o aumento dos salários na função pública, o descongelamento "imediato" das progressões na carreira e as 35 horas semanais para todos os trabalhadores.

Esta é a terceira greve nacional dos trabalhadores da Administração Pública com o atual Governo e a primeira convocada pela Frente Comum de Sindicatos, segundo a listagem cedida pela estrutura sindical.

A primeira greve com o executivo de António Costa ocorreu em 29 de janeiro de 2016 e foi convocada pela Federação Nacional dos Sindicatos da Administração Pública, assim como a de 26 de maio deste ano, que teve como objetivo reivindicar aumentos salariais, o descongelamento das carreiras, o pagamento de horas extraordinárias e a redução do horário de trabalho para 35 horas em todos os serviços do Estado.