Pelo menos onze consulados e três embaixadas portuguesas estão esta sexta-feira encerrados devido à greve da função pública, informou fonte do Sindicato dos Trabalhadores Consulares, que alertou para as consequências do encerramento do consulado de Portugal em Maputo.

Alexandre Vieira, do Sindicato dos Trabalhadores Consulares e das Missões Diplomáticas, disse à Lusa que o fecho do consulado na capital de Moçambique está a provocar «grande alarido», devido aos recentes raptos que têm preocupado a comunidade portuguesa no país.

«Os portugueses estão a pedir auxílio no consulado, que está encerrado e não há ninguém para atender», cita a Lusa.

O sindicato, que representa cerca de 1.600 funcionários consulares e das missões diplomáticas, estimou que a adesão à greve esteja em torno dos 70%, embora se desconheça ainda a adesão no continente americano devido à diferença horária.

Os consulados que encerraram devido à greve são os de Macau, Joanesburgo, Maputo, Sevilha, Madrid, Vigo, Lyon, Dusseldorf, Hamburgo e Sydney, disse Alexandre Vieira.

Os serviços consulares em Bruxelas estão também encerrados, disse por seu lado à Lusa o dirigente sindical José Campos.

O consulado de Paris está a funcionar a 40% da sua capacidade e o de Zurique a 30%, disse Alexandre Vieira.

Quanto às embaixadas, encerraram as de Nova Deli, Telavive e Moscovo, assim como a missão de Portugal na ONU em Genebra.

A embaixada de Portugal em Moçambique está a funcionar a 50%, disse Alexandre Vieira, enquanto na embaixada em Bruxelas a adesão à greve atingiu os 20%, segundo José Campos.

Na delegação portuguesa na NATO, também em Bruxelas, a adesão à greve é de 20%, enquanto na Representação Portuguesa junto da União Europeia, o sindicalista calculou a adesão à greve na função pública em 30%, acrescentou José Campos.

O sindicalista sublinhou que há funcionários nas embaixadas «com reduções salariais na ordem dos 30% e que vão ser novamente agravadas».

Alexandre Vieira lamentou que sempre que alguma destas medidas é tomada, os funcionários das embaixadas e consulados são atingidos «de forma muito violenta».

A greve dos funcionários públicos foi marcada pelas estruturas sindicais do setor como forma de protesto contra novos cortes salariais e de pensões e o aumento do horário de trabalho, entre outras medidas.

A proposta de lei do Orçamento do Estado (OE2014) entregue no dia 15 de outubro no Parlamento pela ministra das Finanças, Maria Luís Albuquerque, prevê que seja aplicada uma redução remuneratória progressiva entre 2,5% e 12%, com caráter transitório, às remunerações mensais superiores a 600 euros de todos os trabalhadores das Administrações Públicas.

O subsídio de Natal dos funcionários públicos e dos aposentados, reformados e pensionistas vai ser pago em duodécimos no próximo ano, segundo a proposta de OE2014, que mantém a aplicação da Contribuição Extraordinária de Solidariedade (CES) sobre as pensões.