A Coordenadora da Frente Comum dos Sindicatos da Função Pública afirmou que a média de adesão à greve dos trabalhadores da Administração pública, a nível nacional, situava-se ao final da manhã entre os 80% e os 82%.

Em conferência de imprensa na sede da estrutura sindical, em Lisboa, Ana Avoila precisou que considerando os dados que têm chegado ao sindicato de vários pontos do país, a média nacional de adesão situa-se entre os 80% e os 82%, e está a afetar hospitais, câmaras, escolas e bombeiros.

«Esta greve é uma demonstração de grande força e de grande combate contra estas políticas que têm sido bastantes desastrosas e é preciso continuar a luta para exigir a quem de direito [ao Governo] para que se sente à mesa com os sindicatos», considerou.


Em declarações à TVI24, a coordenadora da Frente Comum revelou que há serviços em que a greve ronda os 100%, como é o caso das urgências em Lisboa e das Câmaras de Vila Franca, Amadora, Loures e todas as do distrito de Setúbal (com exceção da Câmara de Setúbal). 

A greve da função pública ao longo do país

Ana Avoila referiu ainda que a paralisação dos enfermeiros ronda os 78% e nos tribunais os 75%. Já nas repartições de finanças, a paralisação supera os 75% e, nas escolas, a adesão à greve aproxima-se dos 80%.

«Na Administração Pública, no geral, com os dados que já temos, temos uma adesão muito, muito, muito grande», enfatizou a coordenadora da Frente Comum, que não afasta a possibilidade de os números poderem subir ao longo do dia.

Na opinião de Ana Avoila, os trabalhadores «estão a ser fustigados pelas políticas do Governo, agora mais do que nunca».

«Os trabalhadores têm de fazer um balanço e ver quem os prejudicou, as consequências disso para o seu futuro e afirmar as suas reivindicações num ano em que há eleições», vincou.


Para a coordenadora da Frente Comum, o Governo quer «destruir os serviço públicos e quem sofre sãos os trabalhadores, mas sobretudo os utentes».

Ana Avoila disse ainda que vão ser divulgados mais dados sobre a adesão à greve em todo o país, numa conferência de imprensa marcada para o final da manhã.

Adesão à greve na educação com «expressão forte»

O líder da Fenprof considerou que a greve geral da função pública tem uma «expressão forte» na educação, o que demonstra que os trabalhadores não esqueceram o que o atual Governo fez ao longo da legislatura.

Mário Nogueira, que falava aos jornalista em conferencia de imprensa à porta da escola de ensino básico dos 2.º e 3.º ciclos Marquesa De Alorna, em Lisboa, avançou que as informações que vão chegando ao sindicato demonstram que a greve tem uma «expressão forte» em todos os graus de ensino.



O líder da Federação Nacional dos Professores considerou ainda que a data da jornada de luta é «oportuna e importante», lembrando que o facto de se realizar quase no final da legislatura vai lembrar aos governantes todo o mal que fizeram «ao país, à Administração Pública e à educação».

Mário Nogueira falou da existência de muitas escolas fechadas pelo país, com adesão de professores de escolas básicas e jardins de infância, que estão fechadas não por causa dos trabalhadores não docentes, mas sim dos professores em luta, o que demonstra a indignação das pessoas.

«Agora eles [Governo] vêm dizer que vão desbloquear carreiras e repor salários. Agora porque há eleições, agora é que interessa dizer isso, se ficassem lá mais quatro anos eseria a terra queimada completa e absoluta», frisou Mário Nogueira, reiterando que essa é mais uma razão para os professores não esquecerem o que o Governo lhes fez.

De acordo com Mário Nogueira, estão previstas novas formas de luta no futuro, a primeira das quais já a 25, 26 e 27 de março, tendo em vista os professores que vão estar ao serviço da PACC (Prova de Avaliação de Conhecimentos).

O sindicalista não descartou a hipótese de trazer novamente os professores para a rua «para uma grande manifestação de demonstração de indignação» no futuro próximo.

Os professores encontram-se em luta devido à municipalização da educação, contra a mobilização especial, as injustiças nos concursos, os horários de trabalho incompatíveis com o exercício da profissão, o congelamento das carreiras desde 2011, entre outras reivindicações.

Adesão dos enfermeiros acima dos 76%​

A adesão dos enfermeiros à greve da função pública está acima dos 76% nos hospitais portugueses, segundo dados do Sindicato.

O presidente do Sindicato dos Enfermeiros Portugueses (SEP) adiantou que, em média nos hospitais, no turno da noite a adesão foi de 76,2% e no turno da manhã de 76,4%.



«Esta forte adesão dos enfermeiros à greve geral da função pública traduz a insatisfação e a revolta dos enfermeiros em relação à imposição das 40 horas semanais», declarou José Carlos Martins.

Depois da greve desta sexta-feira, o SEP vai lançar uma discussão para que o setor avance com formas de luta específicas, que podem passar pela marcação de uma paralisação setorial.

José Carlos Simões manifestou-se ainda indignado com a imposição de novos serviços mínimos para greve de hoje, decretados unilateralmente pelo juiz do tribunal arbitral.

De acordo com o SEP, ao final de 20 anos de serviços mínimos negociados entre o Sindicato dos Enfermeiros Portugueses e os sucessivos governos, um juiz presidente do Tribunal Arbitral decidiu, unilateralmente, alterar os serviços mínimos e o número de enfermeiros para os assegurar, nas instituições de saúde.

Greve afeta sobretudo recolha de lixo, escolas e transportes

A recolha de resíduos sólidos urbanos, as escolas, os transportes e os serviços de limpeza diurnos são os setores onde o Sindicato dos Trabalhadores da Administração Local verificou maior adesão à greve de hoje na Administração Pública.

De acordo com José Correia, vice-presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Administração Local (STAL), durante a última noite registou-se «uma muito boa adesão dos trabalhadores da recolha de resíduos sólidos urbanos, a que não é estranha a perceção destes trabalhadores da tentativa de privatização dos resíduos por este Governo».



Dados do sindicato revelam que não houve recolha noturna em grandes cidades como Évora, Amadora, Sintra, Loures, Almada, Seixal, Barreiro e Setúbal. A recolha diurna de lixo esteve encerrada em Braga e não houve higiene urbana em Coimbra.

Relativamente aos transportes urbanos municipais, José Correia destacou que a greve teve uma grande expressão nomeadamente nos transportes municipais do Barreiro, com adesão de 100%, Coimbra (muito próxima dos 100%) e de Braga, também «no mesmo nível».

A adesão à greve encerrou mais de uma centena de escolas do primeiro ciclo, que dependem da administração local.

«Em três distritos, uma esmagadora maioria de escolas de primeiro ciclo registaram percentagens de adesão superiores a 80% ou encerraram: em Viana do Castelo, Setúbal e Évora», disse, acrescentando que o mesmo se verificou noutras cidades, exemplificando com Albufeira e Silves.

O sindicalista destacou que vários edifícios de paços de concelho e outros, como bibliotecas e piscinas, encerraram, «com resultados muito diversificados no país».

«A esmagadora maioria das câmaras municipais e juntas de freguesia do distrito de Beja estiveram encerradas, os jardins e o setor das águas da câmara da Guarda, as oficinas e o estaleiro dos transportes da câmara de Lisboa também fecharam, em Estarreja, no distrito de Aveiro, o setor operacional esteve encerrado a 100% o que não tinha acontecido noutras vezes», destacou.

Quanto às juntas de freguesia, os dados «são mais difíceis de recolher, mas já foram detetadas mais de 200
encerradas», com uma «incidência expressiva» na área Metropolitana de Lisboa.

«Há um fator muito importante a contribuir para estes resultados: a luta que temos travado em redor [da manutenção do horário semanal] das 35 horas. Em municípios que - sobretudo no norte e no centro - tinham adesões mais baixas, as adesões subiram hoje sobretudo onde recentemente fizemos ações e assinamos acordos para manter as 35 horas», considerou.

A greve desta sexta-feira foi convocada pela Federação sindical filiada na CGTP e teve depois a adesão do Sindicato dos Trabalhadores da Administração Pública (SINTAP) e do Sindicato dos Quadros Técnicos do Estado (STE).

Na origem da convocação da greve estão os cortes salariais na função pública, o aumento do horário semanal das 35 para as 40 horas, a colocação de trabalhadores no regime de requalificação, o congelamento das carreiras e a falta de negociação no setor.