A adesão à greve no segundo turno dos hospitais e nas escolas estava, às 10:00 desta sexta-feira, próxima dos 100%, disse à agência Lusa a coordenadora da Frente Comum de sindicatos da Função Pública, Ana Avoila.

Confirma-se a previsão que tínhamos feito na semana passada e ontem com o lançamento da greve e primeiros dados: esta é uma grande greve, com uma adesão muito elevada. Às 10:00 estava próxima dos 100%”, indicou, remetendo informação sobre mais dados para a conferência de imprensa a realizar hoje ao final da manhã.

De acordo com Ana Avoila, a adesão no segundo turno dos hospitais era, até às 10:00, de cerca de 100%.

Ainda não temos os dados de todos os hospitais, mas, com o que temos, conseguimos perceber que é uma grande adesão. Por exemplo, no Hospital Amadora-Sintra e na Estefânia, em Lisboa, não há consultas externas e o bloco operatório e a enfermaria também estão a ser afetados”, disse.

No entender da coordenadora da Frente Comum, estes dados apontam para uma elevada adesão na saúde e nas escolas de Norte a Sul do país.

No que diz respeito às escolas, são centenas. Estamos constantemente a receber dados de mais escolas fechadas. No distrito de Lisboa temos, por exemplo, encerradas a Virgílio Ferreira, a Delfim Santos, nas Olaias, a Rainha D. Leonor e a D. Dinis, em Odivelas, o que demonstra o descontentamento que existe nas escolas”, sublinhou.

A coordenadora da Frente Comum tinha avançado anteriormente com uma adesão de cerca de 100%, poucas horas depois do seu início.

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Adesão "imensa" na região Centro

O coordenador do Sindicato dos Trabalhadores em Funções Públicas e Sociais do Centro disse, esta sexta-feira, à Lusa que a "adesão [à paralisação] é imensa”. 

“Há várias escolas” encerradas, designadamente nos distritos de Coimbra, Aveiro, Guarda e Viseu, enquanto outras, embora abertas, estão praticamente sem aulas, afirmou José Manuel Dias, sublinhando, no entanto, que ainda não dispõe de dados suficientes para traduzir de forma mais concreta a dimensão do protesto.

Idêntica é a situação no setor da Saúde, assegurou José Manuel Dias, indicando que, em muitos estabelecimentos do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC), estão apenas a ser cumpridos os serviços mínimos, havendo setores, como os de consulta externa ou de cirurgia (não urgentes) totalmente paralisados ou a funcionarem apenas parcialmente.

Pouco diversa é a situação no Instituto de Oncologia em Coimbra ou no Hospital Distrital da Figueira da Foz, exemplificou o sindicalista, sublinhando que o panorama nos hospitais do Serviço Nacional de Saúde nos distritos de Aveiro, Guarda, Leiria e Viseu não é muito diferente da registada na cidade e distrito de Coimbra.

Tanto a Saúde como a Educação são áreas que estão a registar índices muito elevados de adesão à greve, pois os seus trabalhadores, além das questões salariais, debatem-se com outros problemas próprios das suas profissões, explicou José Manuel Dias.

“Sobre os serviços da segurança social, ainda não há elementos” suficiente para traçar um cenário da situação, mas os dirigentes sindicais esperam “também uma grande adesão”, acrescentou José Manuel Dias.

A greve também se “está a sentir nas autarquias locais”, como, de algum modo refletem, por exemplo, os Serviços Municipalizados de Transportes Urbanos de Coimbra, que registam muitas perturbações no funcionamento, sublinhou.

A greve nacional da função pública, convocada pela Frente Comum, começou às 00:00 desta sexta-feira, com os hospitais a serem os primeiros serviços afetados pela paralisação.

Os professores também marcaram uma greve, convocada pela Federação Nacional dos Professores (Fenprof) em defesa dos direitos, das carreiras, da estabilidade e dos salários.

Em causa na greve nacional está a falta de respostas às reivindicações da Frente Comum, como o aumento dos salários na função pública, o descongelamento "imediato" das progressões na carreira e as 35 horas semanais para todos os trabalhadores.

Esta é a terceira greve nacional dos trabalhadores da Administração Pública com o atual Governo e a primeira convocada pela Frente Comum de Sindicatos, segundo a listagem cedida pela estrutura sindical.

A primeira greve com o executivo de António Costa ocorreu em 29 de janeiro de 2016 e foi convocada pela Federação Nacional dos Sindicatos da Administração Pública, assim como a de 26 de maio deste ano, que teve como objetivo reivindicar aumentos salariais, o descongelamento das carreiras, o pagamento de horas extraordinárias e a redução do horário de trabalho para 35 horas em todos os serviços do Estado.