A partir desta sexta-feira começam a ser vendidos maços de tabaco com imagens chocantes, frases de alerta e o número da linha de saúde 24 que disponibiliza ajuda para deixar de fumar. 

A nova rotulagem vai começar a ser usada nos maços a partir de hoje, sendo no entanto estabelecido ainda um período de um ano (até 20 de maio de 2017) para escoar as embalagens antigas.

As novas regras para a venda de tabaco constam de legislação publicada em agosto em Diário da República e que entrou em vigor no início de janeiro, determinando que as embalagens de produtos de tabaco para fumar (como cigarros, tabaco de enrolar e tabaco para cachimbo de água) devem apresentar “advertências de saúde combinadas”, que incluem texto e fotografia a cores.

Algumas das opções constantes da “biblioteca de imagens” consistem em pulmões e línguas com tumores malignos, pessoas amputadas, mortas dentro de sacos ou em camas de hospital, uma mulher a cuspir sangue ou um bebé a fumar através de uma chucha.

Estas imagens são acompanhadas de frases de alerta, entre as quais “fumar provoca 9 em cada 10 cancros do pulmão”, “fumar provoca cancro da boca e da garganta”, “fumar provoca acidentes vasculares cerebrais e incapacidades”, “fumar agrava o risco de cegueira” e “os filhos de fumadores têm maior propensão para fumar”.

Além disto, passa a ser obrigatório as embalagens conterem duas advertências: “Fumar mata – deixe já” e “O fumo do tabaco contém mais de 70 substâncias causadoras de cancro”.

Ao todo, as advertências combinadas (texto e imagens) passam a ocupar 65% das embalagens, no caso dos maços de cigarros, em ambas as faces.

Serviço de apoio telefónico à cessação tabágica só deverá arrancar em 2017

O serviço telefónico de auxílio à cessação tabágica só deverá, no entanto, arrancar em 2017, via Linha Saúde 24, estando os utentes atualmente apenas a ser encaminhados para os cuidados primários. A informação foi adiantada esta sexta-feira pelo enfermeiro coordenador daquele apoio.

Mais de um ano após a primeira data anunciada pelo Governo para o arranque da linha de cessação tabágica, e após sucessivos adiamentos, este serviço de apoio, via Linha Saúde 24, que deveria fazer um acompanhamento telefónico das pessoas ao longo no tempo, só deverá arrancar em 2017.

Em declarações esta sexta-feira à agência Lusa, o coordenador da Linha, Sérgio Gomes, explicou que o que existe atualmente é o atendimento via Linha Saúde 24 (808 24 24 24) e depois um reencaminhamento para os serviços de saúde primários.

“Está tudo a trabalhar como previsto, ou seja, a Linha Saúde 24 está a receber chamadas (…) para outras situações, mas também para a cessação tabágica e, tal como a lei prevê, a chamada é transferida para um grupo de enfermeiros que faz uma pré-triagem, pré-avaliação, sendo depois dada orientação sobre programas disponíveis nos serviços de saúde, neste caso nos cuidados primários”, explicou.

Sérgio Gomes salientou que “havia uma expectativa anterior que tinha a ver com o atendimento e acompanhamento telefónico, que ainda não vai ser implementado”.

“O que estamos a fazer é aplicar a lei 109, na transposição da diretiva. Os utentes podem ligar o número da Saúde 24, que consta nos maços de tabaco, para saber quais os programas de cessação tabágica que existem nos centros de saúde”, sublinhou.

O coordenador da linha explicou que o serviço de apoio de acompanhamento telefónico que deverá arrancar em 2017 “vai existir sempre “dentro do centro de atendimento do Serviço Nacional de Saúde” (SNS).