A fuga de um automobilista português numa operação de fiscalização de trânsito na Galiza terminou quarta-feira à noite, na cidade de Valença, com escaramuças e queixas de familiares por uso excessivo da força por policiais espanhóis em Portugal.

Fonte do comando territorial da GNR de Viana do Castelo disse hoje à Lusa que o homem, de 53 anos, conseguiu escapar aos agentes da Guardia Civil durante uma operação de fiscalização de trânsito que decorreu na Galiza, Espanha, depois de ter sido confirmada uma taxa de 0,74 gramas de álcool por litro de sangue.

Naquele país, prosseguiu a fonte, trata-se de um valor que constitui crime, contudo o português conseguiria escapar à Guardia Civil, colocando-se em fuga com destino a Valença, junto à fronteira com Espanha, onde reside.

«Aproveitou uma distração dos agentes no local e fugiu para Portugal. Iniciou-se a perseguição pela autoridade espanhola, que ao abrigo do acordo transfronteiriço pode continuar a operação até um raio de 50 quilómetros [em território português]» explicou a fonte da GNR.

O homem acabaria por ser detido para identificação pela Guardia Civil, cerca das 21:00 de quarta-feira, numa zona conhecida como «Portas do Sol», junto à fortaleza da cidade de Valença.

À Lusa, os familiares deste condutor mostraram-se revoltados com, dizem, os «excessos» dos polícias espanhóis durante a detenção e pretendem avançar nos próximos dias com uma queixa junto da Guardia Civil de Espanha, aguardando apenas os relatórios médicos.

Acusam ainda os policiais espanhóis de utilização de força injustificada para com os familiares, que tentavam «parar com as agressões» de que o condutor estaria a ser alvo, mesmo depois de imobilizado com algemas.

Do lado português, a GNR, que foi chamada ao local da detenção, confirmou à Lusa não ter recebido qualquer queixa contra os policiais espanhóis, recusando igualmente as acusações de violência por parte dos familiares do condutor.

A mesma fonte admitiu apenas que a «imposição da força» se tornou necessária face à «resistência» oferecida pelo condutor e pelos familiares, o que obrigou a um reforço de meios do Centro de Controlo Policial e Aduaneiro (CCPA) Valença do Minho/Tui.

Acrescentou que quando os militares do posto de Valença da GNR chegam ao local o condutor já estava no interior de uma carrinha da Guardia Civil, sendo visíveis «apenas alguns ferimentos nos pulsos devido à utilização de algemas».

«A força aplicada foi a adequada à proteção dos militares envolvidos e à concretização da detenção para identificação», disse a GNR.

O homem foi assistido no local da detenção pela Guardia Civil, por meios do INEM, e conduzido ao centro de saúde de Valença para receber tratamento médico por apresentar «algumas escoriações e ferimentos», antes de ser encaminhado para o posto da CCPA.