O frio e o pico da gripe fizeram mil mortes acima do esperado em apenas duas semanas, segundo revelam as autoridades de saúde em conferência de imprensa, em Lisboa. A Direção Geral de Saúde diz que o aumento dos óbitos coincidiu com a baixa das temperaturas e o início da gripe sazonal. Os números incluem todas as mortes e não apenas os doentes com gripe e ou com outros problemas.
 
Só na primeira semana do ano morreram mais de 400 pessoas por dia. A DGS fala em «circunstâncias adversas» entre as quais o frio que chegou mais cedo e ainda o período epidémico da gripe.

«Essa mortalidade verificada foi excessiva em relação à observada no ano anterior, mas também é preciso ver que a atividade gripal e as semanas de frio não são sempre nas mesmas semanas, e indicam-nos que há mais mortes num dia ou numa semana para fins de planeamento», afirmou o diretor-geral de Saúde, Francisco George.


O aumento dos óbitos coincidiu com a baixa das temperaturas e o início da gripe sazonal, apesar de os números incluírem todas as  mortes e não apenas as de doentes com gripes e problemas associados.

«A mortalidade especifica por gripe, neste país, nos últimos dez anos, depois vamos ver os investigadores que avaliam com mais rigor esta questão, varia entre 1500 óbitos por ano devido à gripe sempre assim aconteceu, provavelmente aproximamo-nos dos 2000», acrescentou.


Francisco George salientou, no entanto, que a leitura deve ser feita tendo em conta o panorama geral.

«No ano passado, morreram 26 mil portugueses com cancro e 31 mil por doenças circulatórias. É assim que estas questões têm que ser lidas, vendo a mortalidade específica comparada com a geral, tendo em conta aquela que é esperada e a observada. E no conjunto termos também atenção que há excessos e depressões na curva que traduzem depois compensações ao longo de todo ano».


O secretário de Estado da Saúde negou esta terça-feira que o país viva um «período de emergência ou caos generalizado» devido à gripe e pediu para que não se associe mortalidade com crise ou cortes na saúde. 

Leal da Costa, que falava numa conferência de imprensa sobre o surto de gripe deste ano, disse que este «nem era o maior» de que há registo, lembrando que um dos maiores ocorreu em 1999 e que nem por isso se pode atribuir responsabilidade a António Guterres, primeiro-ministro na altura. 

O secretário de Estado disse estar farto «de inverdades sistemáticas de que há menores probabilidades de se sobreviver ao inverno por causa dos cortes no Serviço Nacional de Saúde». 

«Como também não é verdade que as mortes nas urgências estejam relacionadas com atrasos nos atendimentos», acrescentando que todos os anos morrem nos serviços de urgência hospitalares 10 mil portugueses.