Milhares de pessoas são esperadas esta sexta-feira à tarde na manifestação promovida pela Frente Comum dos Sindicatos da Administração Pública, em Lisboa, contras as políticas de austeridade implementadas pelo atual Governo.

Em declarações à Lusa, a coordenadora da Frente Comum, Ana Avoila, disse esperar «uma grande adesão, com a participação de milhares de trabalhadores» nas ruas, que vão exigir ao executivo a reposição dos cortes nos salários e nas pensões, bem como a reposição das 35 horas de trabalho por semana, contra as atuais 40 horas.

Relativamente aos objetivos do protesto, a sindicalista considerou que estes «são claros, mas trata-se, sobretudo, de exigir ao Governo um calendário negocial para que sejam repostos os cortes salariais e das pensões».

A sindicalista lembrou que o primeiro acórdão do Tribunal Constitucional (TC) sobre os cortes salariais foi claro, considerando que estes não eram inconstitucionais na medida em que seriam temporários.

Entretanto, os cortes mantiveram-se e o primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, afirmou na semana passada no parlamento que os salários não voltariam aos níveis de 2011, o que merece total repúdio por parte da Frente Comum.

«Exigimos que os cortes sejam repostos. Não adianta que Passos Coelho venha agora dizer que não vamos voltar a 2011. Se o Governo pensa que vai pôr um país a funcionar, depois de roubar o povo e os trabalhadores, não vai», sublinhou a sindicalista.

A reposição das 35 horas de trabalho semanal e a reivindicação da aplicação dos Acordos Coletivos de Entidade Empregadora Pública (ACEEP), assinados entre os sindicatos e as autarquias e que aguardam a promulgação do Ministério das Finanças para que possam ser aplicados, permitindo a manutenção das 35 horas, contra as 40 horas semanais em vigor na administração pública, são também reivindicações dos trabalhadores que estarão no protesto.

Esta jornada nacional de luta da administração pública, convocada pela Frente Comum, e que decorre esta tarde em Lisboa, «terá três colunas» que rumarão para a Assembleia da República, o local escolhido para as intervenções finais de Ana Avoila e do secretário-geral da CGTP, Arménio Carlos.

A primeira concentração terá início pelas 14:30 no Jardim do Príncipe Real em direção ao Tribunal Constitucional, onde será entregue uma carta em defesa da Constituição da República Portuguesa.

A segunda concentração vai partir do Ministério das Finanças, pela mesma hora, com representantes do Sindicato dos Trabalhadores da Administração Local (STAL) e seguirá pela calçada do Combro, onde integrará a primeira coluna, rumo à Assembleia da República.

A terceira concentração partirá da Rua Braamcamp, junto à sede da Empordef, sensivelmente à mesma hora, também rumo ao Parlamento, como apurou a Lusa.