
O engenheiro Peter Meyer, que esteve ligado ao projeto de Freeport de Alcochete, disse estasegunda-feira em tribunal nunca ter ouvido falar do pedido de verbas em dinheiro para a viabilização do outlet.
A testemunha de acusação falava perante o tribunal coletivo do Barreiro, onde foi ouvido através de videoconferência a partir de Inglaterra.
Questionado pelo Ministério Público sobre se conhecia os arguidos Charles Smith e Manuel Pedro, a testemunha disse que sim, acrescentando que era com eles que tratava dos trabalhos de engenharia estrutural e ambiental enquanto esteve ligado àquele projeto.
Alem dos arguidos, a testemunha disse ainda que na altura conheceu também três pessoas ligadas ao projeto e que também são testemunhas de acusação: William Rolland McKinney, Peter Athey e, mais tarde, Jonathan Rawnsley.
O Ministério Público tentou ainda saber se a testemunha sabia por que motivo a empresa de arquitetura Promontório tinha sido substituída pela de Capinha Lopes após o chumbo do primeiro Estudo de Impacto Ambiental (EIA) do outlet de Alcochete, ao que a testemunha disse não saber.
Peter Meyer referiu, porém, que a substituição dos gabinetes de arquitetura terá ficado a dever-se à «falta de pagamento de honorários à Promontório».
A testemunha disse ainda desconhecer quem sugeriu a empresa de Capinha Lopes após o chumbo do EIA, acrescentando que o estudo elaborado por Capinha Lopes foi aprovado porque «cumpria todas as alterações pedidas a nível ambiental».
Em causa no processo judicial do Freeport está o alegado financiamento de partidos políticos.
O julgamento tem como arguidos os ex-sócios Manuel Pedro e Charles Smith, acusados do crime de extorsão na forma tentada.
Peter Wooley, diretor financeiro do Freeport à data dos factos, é a testemunha de acusação agendada para dia 15 de maio, enquanto para dia 18 de maio está prevista a audição de Rik Dattani, gestor do porjeto de Alchochete.
A audição de Rik Dattani, residente no Qatar, está ainda por confirmar já que depende do facto de o Tribunal poder ou não suportar as custas com a deslocação desta testemunha a Portugal, uma vez pretende ouvi-lo presencialmente, disse à Lusa fonte do tribunal.