O psicólogo forense português Francisco Valente Gonçalves foi um dos dez escolhidos entre 300 candidatos de 58 países para participar num projeto de Ciências Forenses multidisciplinar, com financiamento europeu, da universidade britânica de Leicester.
 

O processo de seleção às dez bolsas europeias, disponíveis, de doutoramento, demorou vários meses, adiantou o português à agência Lusa, que vai estudar o processo de decisão diário dos investigadores forenses, nomeadamente na área da análise das impressões digitais.

Além de literatura sobre a tomada de decisão e erros inconscientes, fará a análise de casos práticos e observação de campo com investigadores forenses.

«Um exemplo deste tipo de erros foi o caso que ocorreu aquando do atentado de Madrid em 2004, onde o Federal Bureau of Investigation (FBI) cometeu um erro de tomada de decisão durante a investigação de impressões digitais de possíveis suspeitos», referiu.


O resultado foi a detenção de um homem inocente, Brandon Mayfield, um advogado norte-americano cuja impressão digital foi igualada erroneamente a uma encontrada num dos detonadores, primeiro por um computador e depois por três diferentes peritos da força de segurança dos EUA.

Francisco Gonçalves pretende também trabalhar junto de investigadores.

«A fim de podermos tornar esta investigação o mais fidedigna possível, iremos utilizar, em algumas ocasiões, o equipamento ‘eye-tracking 1000’. Este equipamento permite verificar os movimentos oculares dos sujeitos que realizam as experiências», adiantou.


O projeto INTREPID Forensics da Universidade de Leicester recebeu um financiamento de 2,9 milhões de euros do Programa «Pessoas» do 7.º Quadro da União Europeia e abrange disciplinas como a Genética, Química, Psicologia, Engenharia, Matemática ou Física.

O resultado, afirmou a universidade, poderá ter «um impacto potencial para combater o crime por toda a Europa e a nível global».

O trabalho dos dez investigadores será financiado durante três anos, podendo o progresso ser acompanhado online.