A associação Les Amis du Plateau vai apresentar, hoje, uma queixa na polícia de Champigny-sur-Marne, nos arredores de Paris, pelo roubo de uma mão do monumento que os portugueses construíram em homenagem a um autarca francês.

O monumento, situado no local onde nos anos 1960 existiu um dos maiores bairros de lata portugueses, tinha sido inaugurado a 11 de junho de 2016 pelo Presidente e pelo primeiro-ministro, Marcelo Rebelo de Sousa e António Costa, respetivamente, no âmbito das comemorações do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas.

Uma das quatro mãos de 30 quilos que rodeia a escultura central foi roubada na noite de sábado, depois de uma primeira tentativa de furto "há 12 dias", disse à Lusa Valdemar Francisco, presidente da associação Les Amis du Plateau.

"Há 12 dias já tinham arrancado uma mão mas não tiveram tempo de a levar porque passou lá alguém. Agora estamos a repará-la. De sábado para domingo arrancaram outra mão e desta vez levaram-na. Estamos indignados e dececionados porque aquela mão tem um valor para nós, é um valor simbólico", afirmou Valdemar Francisco.

O dirigente associativo e empresário considerou que se deve tratar "de um simples roubo e não de um ato de racismo ou xenofobia contra os portugueses", porque houve outros furtos naquele parque e disse que vão ser colocados dentro das mãos dispositivos de geolocalização no caso de haver novo roubo.

Valdemar Francisco acrescentou que o monumento deverá estar reconstituído até 10 de junho, "dia de Portugal em que a associação vai fazer a festa das crianças e a festa da sardinha".

O monumento é uma homenagem ao antigo autarca Louis Talamoni que, entre 1956 e 1972, data da extinção do bairro de lata, providenciou o fornecimento de água e eletricidade, a escolarização das crianças, o acesso aos cuidados de saúde, a recolha do lixo e a instalação de esgotos.

Localizado na cidade que também tem um memorial aos emigrantes portugueses da autoria do escultor Rui Chafes, o monumento da associação Les Amis du Plateau é composto por uma escultura central com uma pilha de livros encimada pelo rosto do antigo autarca.

À sua volta, há oito colunas feitas com tijolos que foram autografados por emigrantes, pelo Presidente da República, pelo primeiro-ministro, pelo cantor Pedro Abrunhosa, entre várias outras personalidades.