Portugal caiu 18 posições no «ranking» do Fórum Económico Mundial sobre igualdade de género, em seis anos, e está agora em 51.º lugar, numa lista de 136 países, uma quebra que a organização atribui à atual crise económica.

No relatório, disponível no site do Fórum Económico Mundial, Portugal aparece em 51.º lugar no índice geral, em 66.ª posição ao nível da participação das mulheres na economia, em 56.º lugar no «ranking» da educação, em 83.º, em matéria de saúde, e em 46.º, ao nível do poder político.

O 51.º lugar em 2013 representa uma queda de quatro lugares comparativamente a 2012, mas olhando ao primeiro ano de elaboração deste «ranking», em 2006, a queda é já de 18 lugares.

Analisando ano a ano, depois de ter começado na 33.ª posição, Portugal caiu para 37.º, em 2007, depois para 39.º, em 2008, continuou a cair em 2009, passando para o 46.º lugar. Melhorou em 2010, quando foi classificado na 32.ª posição, mas no ano seguinte perdeu três posições e chegou a 2012, em 47.º lugar.

Na opinião do Fórum Económico Mundial, a perda de quatro lugares entre 2012 e 2013 «pode ser atribuída à queda nos valores estimados para os rendimentos».

Na análise mais pormenorizada do país, o Fórum Económico Mundial indica que, em matéria de educação, a percentagem de professoras ao nível do ensino básico é de 80%, valor que desce para 69%, quando se trata do ensino secundário, e para 44%, quando se trata do universo de professores no ensino universitário.

Ao nível do emprego, o relatório mostra que a taxa de desemprego das mulheres adultas é de 13%, enquanto nos homens é de 12%. Já a percentagem de mulheres em empregos parciais é de 14%, enquanto nos homens é de 9%.

Na lista dos 136 países, a Islândia aparece em primeiro lugar, logo seguida da Finlândia e da Noruega. Aliás, o grupo dos 10 países mais bem classificados é quase preenchido por países europeus, à exceção das Filipinas (5.º), Nova Zelândia (7.º) e Nicarágua (10.º).

Já em último lugar está o Iémen, imediatamente precedido pelo Paquistão, o Chade, a Síria e a Mauritânia.

Em declarações à agência Lusa, a presidente do departamento nacional de mulheres socialistas, Isabel Coutinho, defendeu que os dados do relatório representam «um retrocesso absoluto».

«Não há dúvidas nenhumas de que isto é o reflexo da situação económica e social que nós vivemos no país e que é extremamente preocupante», considerou Isabel Coutinho.

Na opinião da responsável, a recente posição de Portugal é explicada pela atual situação económica, mas também pela «evidente falta de investimento e de interesse deste Governo nesta matéria».

Deu como exemplo, a medida do Governo de conciliar a vida laboral e familiar, ao mesmo tempo que os horários de trabalho ou até mesmo a atual taxa de desemprego não são amigos desta conciliação.

Isabel Coutinho admitiu que não há soluções milagrosas, mas defendeu que é preciso parar para pensar, sustentando que se trata quase de uma questão de sobrevivência da sociedade, e que esta é uma questão que tem de ser pensada em conjunto com empresas, serviços públicos, instituições, escolas.

A Lusa contactou o gabinete da secretária de Estado dos Assuntos Parlamentares e da Igualdade, mas, até ao momento, ainda não foi possível obter um comentário de Teresa Morais.